Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de água parada. (Foto: Edimário Duplat / Saúde GovBA) A Bahia vem intensificando suas estratégias de enfrentamento às arboviroses, com foco em inovação tecnológica, ampliação da vacinação e integração das ações de vigilância em saúde. Em um cenário agravado pelo aumento das chuvas, que favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o estado reforça medidas para conter doenças como dengue, zika e chikungunya, que seguem como importantes desafios de saúde pública.
Nesta terça-feira (28), durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), gestores e técnicos apresentaram iniciativas que marcam um novo momento no combate ao vetor. Um dos principais destaques é a expansão do método Wolbachia, tecnologia que utiliza mosquitos Aedes aegypti infectados com uma bactéria naturalmente presente em outros insetos e capaz de reduzir significativamente a transmissão dos vírus. Esses mosquitos não desenvolvem os vírus da dengue, zika e chikungunya e, por isso, não transmitem as doenças. A estratégia busca, ao longo do tempo, substituir a população de mosquitos transmissores por mosquitos com menor capacidade de transmissão.
Já aplicada em algumas cidades brasileiras, a tecnologia deverá ser ampliada de três para 40 municípios. Na Bahia, a proposta inicial contempla Vitória da Conquista, Camaçari e Feira de Santana, com possibilidade de expansão conforme os resultados obtidos. A ação envolve desde a produção dos mosquitos até a liberação controlada em áreas urbanas, aliada ao monitoramento contínuo e a ações educativas.
Outro ponto relevante é o investimento de R$ 183,5 milhões em tecnologias para o combate ao mosquito, além da implantação do Centro de Operações de Emergência (COE) para arboviroses. A estrutura permitirá o monitoramento diário da situação epidemiológica e respostas mais rápidas, especialmente em estados prioritários, como a Bahia. Também avançam as ações de apoio ao manejo clínico, com ferramentas digitais que auxiliam na identificação precoce de casos graves, além do reforço no diagnóstico, com a distribuição de milhões de testes rápidos em todo o país.
As estratégias integradas seguem como pilar central, com destaque para os mutirões em áreas indígenas e o uso do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), ferramenta essencial para identificar focos e orientar as ações de controle. Outro avanço importante é a chegada da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan e já distribuída no estado. Neste primeiro momento, o imunizante está sendo destinado a profissionais da Atenção Primária à Saúde, ampliando a proteção de quem atua na linha de frente.
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de água parada. Medidas simples, como manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e evitar recipientes que acumulem água, seguem fundamentais para reduzir os casos. O enfrentamento às arboviroses exige esforço coletivo, com integração entre governo, profissionais de saúde e população para conter a transmissão e proteger vidas em todo o estado.
Durante a reunião da CIB, a Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (Suvisa) apresentou e pactuou importantes ações estratégicas para o estado. Entre os destaques, está a homologação da incorporação dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) às Equipes de Saúde da Família, possibilitando o recebimento de incentivo financeiro por municípios baianos. Também foi apresentado o uso dos Vacimóveis como estratégia para ampliar a cobertura vacinal nos territórios, facilitando o acesso da população aos imunizantes. Outro ponto pactuado foi o fortalecimento da atuação dos pontos focais municipais para Emergências em Saúde Pública, com definição de perfil e alinhamento do papel estratégico desses profissionais na resposta a surtos, epidemias, desastres e situações de desassistência.
A reunião também trouxe um panorama atualizado do cenário epidemiológico da sífilis na Bahia e da situação das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), reforçando a importância do monitoramento contínuo e da atuação integrada da vigilância em saúde.




Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!