A ação marcou o encerramento da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), realizada de 18 a 30 de maio, na região de Bom Jesus da Lapa. (Foto: Matheus Lemos/Sema) Na madrugada desta quinta-feira (29), cento e vinte e um pássaros silvestres, entre eles exemplares de cancão, pássaro-preto, azulão e de papa-capim, foram devolvidos ao seu habitat natural durante uma soltura realizada em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), na região do município de Carinhanha. A ação marcou o encerramento da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), realizada de 18 a 30 de maio, na região de Bom Jesus da Lapa.
A soltura dos animais é considerada o ápice da operação para os especialistas da equipe de fauna da FPI. O trabalho começa muito antes de as gaiolas serem abertas. Envolve educação ambiental nas visitas às residências, verificação de registros no Sispass – sistema oficial para criadores amadores de passeriformes nativos – e conscientização para a entrega voluntária dos animais.
“É um momento gratificante, de reencontro entre o homem e a natureza”, resume Karina Oliveira, bióloga do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). “Hoje, temos a satisfação de realizar essa soltura em um local protegido, onde as aves podem, enfim, voltar ao seu lugar de origem — o ambiente natural do qual nunca deveriam ter saído.”
A logística para o retorno à natureza começou ainda de madrugada. Às 4h da manhã, representantes da ONG Animália, do Inema, da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e do Ministério Público transportaram os animais da base da fauna até o ponto de soltura. “Esse horário é escolhido para oferecer maior conforto térmico às aves durante o deslocamento”, explicou Samanta Grimaldi, da equipe de educação ambiental do Inema.
Segundo Mila Roberta, médica veterinária da ONG Animália, os animais passaram por uma triagem rigorosa antes da soltura. “Avaliamos o score corporal, o comportamento, a condição das penas e a saúde geral de cada indivíduo. Os que estavam em boas condições foram soltos hoje. Os demais foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde passam por reabilitação antes de uma futura soltura.”
Nem todos, no entanto, têm a chance de voltar à natureza. “Alguns chegam em estado crítico – cegos, com asas ou patas amputadas por maus-tratos – e infelizmente não têm mais condições de sobreviver sozinhos. Isso reforça a necessidade de desmistificar a cultura de manter aves em gaiolas”, alertou Mila.
Além do impacto sobre a vida dos animais, a retirada desses seres da natureza afeta o equilíbrio ambiental. “Essas aves desempenham funções vitais como polinização e dispersão de sementes. Quando são retiradas do ambiente natural, toda a cadeia ecológica é afetada”, acrescentou a veterinária.
Durante a operação da FPI, a equipe de fauna visitou residências para fiscalizar criadores amadores e incentivar a entrega voluntária de animais mantidos ilegalmente em cativeiro. As abordagens foram acompanhadas de orientações e informações sobre a importância da preservação das espécies.




