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Bahia mantém vigilância ativa para hantavirose e não há registro recente da doença no estado Os sintomas iniciais podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal, geralmente após um período de incubação que varia de uma a oito semanas após a exposição. (Foto: Ilustrativa / Freepík)

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (Suvisa), acompanha o cenário epidemiológico da hantavirose no Brasil e no exterior, especialmente após o evento internacional envolvendo o vírus Andes. Até o momento, não há registro de surto da doença na Bahia, e o último caso confirmado de hantavirose com Local Provável de Infecção (LPI) no estado ocorreu em 2004, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde.

O monitoramento é realizado de forma integrada pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA), pelo Laboratório Central de Saúde Pública Professor Gonçalo Moniz (Lacen-BA) e pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep), garantindo a verificação e avaliação de rumores, além da notificação, investigação e resposta oportuna diante de eventuais casos suspeitos.

Segundo a vigilância estadual, a hantavirose é uma zoonose viral aguda rara no Brasil, geralmente associada à exposição à urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados, sobretudo em áreas rurais, periurbanas ou ambientes com infestação. A Suvisa destaca que não há evidência de circulação sustentada da doença na Bahia e que o Ministério da Saúde não registra circulação do vírus Andes no Brasil, mesmo diante do episódio internacional envolvendo passageiros de um cruzeiro.

A orientação das autoridades de saúde é manter medidas preventivas simples, como evitar contato com urina, fezes e saliva de roedores, proteger alimentos e caixas d’água, vedar frestas e acessos que favoreçam a entrada desses animais e higienizar adequadamente ambientes fechados por longos períodos. Locais com sinais de roedores devem ser ventilados antes da limpeza, evitando varrição a seco, para reduzir o risco de inalação de partículas contaminadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, o evento internacional relacionado ao navio não representa, até o momento, impacto direto para o Brasil, e os casos confirmados no país não têm relação com a situação monitorada internacionalmente. A transmissão entre pessoas é considerada incomum e, até o momento, foi documentada apenas em situações associadas ao vírus Andes, geralmente envolvendo contato próximo e prolongado com pessoas sintomáticas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as infecções por hantavírus como relativamente incomuns, embora reconheça que a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, forma predominante nas Américas, pode evoluir com gravidade e elevada letalidade. A prevenção depende principalmente da redução da exposição a roedores e da adoção de cuidados na limpeza de ambientes potencialmente contaminados.

Os sintomas iniciais podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal, geralmente após um período de incubação que varia de uma a oito semanas após a exposição. Em quadros graves, a doença pode evoluir rapidamente para tosse, falta de ar, insuficiência respiratória e comprometimento cardiovascular, exigindo atendimento hospitalar imediato.

A Suvisa reforça que todo caso suspeito de hantavirose deve ser notificado e investigado imediatamente, conforme os protocolos nacionais de vigilância epidemiológica. A doença é de notificação compulsória imediata, em até 24 horas. A informação qualificada, a vigilância ativa e as medidas de prevenção seguem como as principais estratégias para evitar desinformação, alarmismo e exposição desnecessária da população.

Bahia publica estudo sobre óbitos por Febre Oropouche em revista do CDC Atualmente a Bahia registra 984 casos da Febre Oropouche. (Foto: Reprodução / Ascom Sesab)

Técnicos da vigilância da Secretaria da Saúde (Sesab) publicaram um estudo no periódico Emerging Infectious Diseases do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos. O artigo aborda dois casos fatais de Febre Oropouche ocorridos em 2024 em pacientes jovens, sem comorbidades, residentes em Valença e Camamu.

A investigação foi conduzida pela equipe da vigilância epidemiológica da Sesab, que detalhou a rápida evolução dos sintomas nos dois casos, culminando em óbito em menos de uma semana. O vírus Oropouche, uma arbovirose de importância crescente na América do Sul, foi detectado em ambas as pacientes por meio de análises metagenômicas e exames laboratoriais rigorosos.

De acordo com a diretora de vigilância epidemiológica, Márcia São Pedro, a confirmação dos óbitos foi realizada após um processo criterioso, com entrevistas domiciliares e análises detalhadas dos prontuários médicos, além de contato direto com as equipes de saúde que atenderam as pacientes. “O artigo reafirma o trabalho contínuo que temos realizado em conjunto com o Ministério da Saúde no monitoramento de casos e investigação epidemiológica de doenças emergentes”, afirmou São Pedro.

O estudo também contribui para ampliar o entendimento sobre a epidemiologia do vírus Oropouche, especialmente fora de regiões tradicionalmente endêmicas. Além disso, reforça a necessidade de vigilância intensificada para doenças negligenciadas como essa, que pode causar graves complicações de saúde.

A secretária da saúde, Roberta Santana, declarou: “a publicação desse estudo ressalta nosso compromisso em acompanhar e investigar profundamente cada caso de doenças emergentes que afetam a população baiana, buscando sempre maior compreensão científica e melhor resposta ao cenário epidemiológico”.

Atualmente a Bahia registra 984 casos da Febre Oropouche. O artigo completo pode ser acessado em https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/30/11/24-1132_article

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