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Autoridades e líderes indígenas tratam de direitos e preservação cultural A iniciativa representa um avanço no reconhecimento, valorização e reparação histórica dessas comunidades no município. (Foto: Ascom / Pref. de Jequié)

A Prefeitura de Jequié realizou, na segunda-feira (11), uma reunião com representantes dos povos originários para discutir demandas e estratégias relacionadas às políticas públicas voltadas a essas comunidades. O encontro aconteceu no prédio-sede da Prefeitura e contou com a presença do prefeito e dos secretários da administração.

Pelo lado das comunidades indígenas, participaram a cacica Ana Paula Evangelista de Santana Almeida Tupinambá; o pajé Joelson Almeida Santos Kariri-Sapuyá; as lideranças Elismar Mota dos Santos Tupinambá e Elenilda Barvai Kariri-Sapuyá; e Grasiele Alves Lopes de Andrade Aticum Umã.

De acordo com a prefeitura, a iniciativa integra a agenda de fortalecimento institucional e promoção da equidade, alinhada às diretrizes de inclusão social e ao reconhecimento das comunidades tradicionais em Jequié. Durante a reunião, foram abordadas pautas como a implantação da Política Municipal de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), alinhada às metas do Selo UNICEF 2025-2028. Dados do Censo 2022 apontam a presença de 289 pessoas autodeclaradas indígenas no município, distribuídas em 23 etnias diferentes, evidenciando a necessidade de políticas públicas específicas.

Ainda conforme a gestão municipal, como resultado do encontro, o prefeito instituiu a criação de uma Comissão Municipal de Negociação Permanente, com foco na elaboração de estudos, construção de soluções e garantia de direitos para os povos indígenas.

Em fala durante o evento, a cacica Ana Paula Evangelista destacou a importância do reconhecimento territorial e cultural: “Somos uma comunidade multiétnica, formada por membros de diversos povos indígenas que vivem em contexto urbano devido à expropriação territorial. Nossos modos tradicionais de plantio e organização coletiva fortalecem a cultura e a identidade étnica. Ter um território próprio é essencial para a perpetuação da nossa cultura, tornando esta reunião significativa para nós”. Fonte: Pref. de Jequié

MAC Bahia e Museu do Recôncavo celebram povos originários no Abril Indígena A Ocupação ORIGEM destaca a potência da arte indígena contemporânea em linguagens como pintura, escultura, fotografia e vídeo. (Foto: Fernando Barbosa - Ascom / Ipac)

Em sintonia com as celebrações do Abril Indígena, museus administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) oferecem uma programação especial em homenagem aos povos originários. O Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) sedia a Ocupação ORIGEM: arte indígena contemporânea, a partir de 24 de abril, enquanto o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho apresenta um núcleo expositivo permanente dedicado aos povos indígenas, com destaque para a etnia Tupinambá.

Realizada em parceria com a Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA), da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), e com a Superintendência de Políticas para os Povos Indígenas, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), a Ocupação ORIGEM acontece em diferentes espaços do MAC_Bahia.

No Piso 1, a Galeria Casarão recebe a Mostra do Artesanato e da Arte Contemporânea Indígena, uma iniciativa de valorização das expressões artísticas e de promoção da cultura dos povos originários. Na área externa, a Feira Artesanato da Bahia – edição indígena – reúne artesãs e artesãos de diversas etnias. de 24 a 26 de abril.

No Piso 2 do Casarão, a programação inclui a mostra audiovisual “Por onde andam nossas histórias Wapixana?”, do artista indígena Gustavo Caboco. Os vídeos dialogam com acervos e arquivos históricos do povo Wapixana.

Na Galeria 3, o público confere uma exposição de cocares indígenas das etnias Pataxó, Tupinambá, Kiriri, Chocó e Kiriri-Chocó, entre outras. Já na Galeria 4, a mini mostra “Entreatos do Acervo do MAC Bahia” apresenta quatro fotoperformances de Célia Tupinambá. A programação inclui, ainda, uma edição temática do Cine Paredão.

A Ocupação ORIGEM tem como foco a valorização de políticas públicas voltadas à cultura indígena. Dessa forma, o Ipac reafirma seu compromisso com práticas curatoriais inclusivas, reconhecendo as expressões culturais dos povos originários como parte fundamental do patrimônio da Bahia. As obras apresentadas confrontam apagamentos históricos, reivindicam direitos e celebram saberes ancestrais.

Núcleo dos Povos Originários amplia diálogo com o Recôncavo

No Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, localizado na Enseada de Caboto, o Núcleo dos Povos Originários oferece ao público uma imersão na história e na presença indígena na região, com destaque para os Tupinambá, que historicamente ocuparam o território.

Com curadoria da fotógrafa Isabel Gouveia, o espaço propõe uma reflexão sobre o processo de colonização e o silenciamento dos povos indígenas. O núcleo reúne fotografias, grafismos do artista plástico Thiago Tupinambá e terminal de vídeo onde é exibido o documentário Brasil Tupinambá, dirigido pela antropóloga baiana Celene Fonseca, uma contribuição para o debate sobre identidade, memória e resistência indígena, evidenciando a permanência e a luta desse povo até os dias atuais.

“É fundamental conectar o museu à realidade anterior à chegada dos europeus e humanizar os povos indígenas, historicamente tratados como inferiores. No Recôncavo, os Tupinambá habitavam esse território, e é essencial que reencontrem seu lugar dentro da narrativa do museu”, afirma Celene.

Como protagonistas da história do território antes e durante a chegada dos europeus, os povos originários desenvolveram estratégias de resistência que garantiram sua continuidade ao longo do tempo, apesar das tentativas de apagamento. As aldeias Tupinambá deram origem às primeiras vilas do Recôncavo e estão na base da formação do povo brasileiro.

“Os Tupinambá de hoje são aqueles que deram continuidade à luta de seus antepassados. Eles nunca desapareceram, estavam apenas, digamos assim, numa semiclandestinidade. O apagamento identitário não foi completo, e o recuo foi estratégia de luta”, explica a antropóloga.

O núcleo dos Povos Originários tem o propósito de ampliar o diálogo entre passado e presente, conectando o público às trajetórias indígenas e reafirmando a importância desses povos na formação cultural da Bahia, estado com a segunda maior população indígena do país, estimada em 239 mil pessoas de 35 etnias.

Os elementos dispostos no espaço estão em tensão com a obra”Vista do Rio Paraguaçu”, de Jean Baptiste Grenier, uma paisagem serena, silenciosa, quase contemplativa, e um desenho de Charles Motte, baseado numa obra de Debret, que mostra  uma cena explícita de indígenas prisioneiros. “É nesse intervalo que o núcleo se constrói, entre o que parece neutro e o que é declaradamente violento. O gesto curatorial mais potente talvez seja esse: não apagar essas imagens, mas tensioná-las. Colocá-las em confronto com outras formas de saber, de ver, de existir”, explica Daniela Steele, coordenadora do museu.

Serviço

Ocupação ORIGEM: arte indígena contemporânea

Abertura: 24 de abril de 2026

Visitação: 25 de abril a 2 de agosto de 2026

Horário: terça a domingo, das 10h às 20h

Onde: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) – Rua da Graça, 284, Graça, Salvador (BA)

Entrada gratuita

Núcleo dos Povos Originários

Visitação: quarta a domingo, das 9h30 às 16h30

Onde: Museu do Recôncavo Wanderley Pinho (Via Matoim, s/n, Enseada de Caboto, Candeias)

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