SHAKESPEARE E CERVANTES
Imaginem só que estamos num verdadeiro inferno astral com o impedimento da Presidente Dilma, a dissolução lenta e gradual do PT e em pleno domingo eis que o bendito “míope” começa a abordar um tema que com certeza na cabeça da maioria nem “o pensar para discussão”: é que Willam Shakespeare e Miguel Cervantes se vivos estivessem estariam completando 400 anos? E daí, pergunta o Robi. Não sabemos qual a razão que por algum tempo o tema deixou a sala mas na minha cabeça teve inicio um caldeirão de memórias.
Se coloque numa pequena comunidade, perdida lá no sertão baiano, às margens de um rio e com duas lagoas para uso. Estrada carroçável. Sem luz elétrica. Correio que chegava aos sábados, com as correspondências vindo no lombo dos burros após descer a serra do Rio de Contas e passar por Livramento. Luz elétrica só apareceu em torno de 1976 não me faltando a memória. Água se pegava no rego em lombo dos jegues. Um médico que ali chegou em 1936 e de inicio ficou dez anos sem fazer viagens salvo para atendimento ali por perto. Às vezes mais longe: Rio do Pires e Macaúbas. Duas escolas PRIMÁRIAS: uma para homens (meninos) e outra para MENINAS. Com VERDADEIRAS MESTRAS a cuidar da classe. A ensinar ler, escrever, contar e pensar. E não foram poucos os médicos, engenheiros, professores, advogados que se formaram. Paro aqui. Estou frente a um quadro com foto ampliada de uma foto do Cervantes cuja vida “big gim” sabe de batido. Então comecei a refletir que aquele medico único na região, com muita atividade, ainda tinha tempo de colocar (o mais velho dos filhos, óbvio) sentado numa cadeira de lona (tenho guardada aqui em minha casa) e lia às vezes trechos de “Hamelet”, explicando para o menino e outras vezes recitava trechos de “Dom Quixote”, de Miguel Cervantes Saravedo. Um dia ele não sentou para comentar. Sentou, me chamou e me deu um exemplar de “Dom Quixote” e mandou que fosse lendo que aos poucos eu iria me tornar “adepto do personagem criado por Cervantes”. E assim como lá na escola do curso primário, já no quarto ano (eram cinco) Monteiro Lobato liderava sendo que o maior leitor de todos os indivíduos com quem já convivi foi o Dr. ANTÔNIO CARLOS LEÃO MARTINS, ou “Tõe de Herculano”, promotor já aposentado. No nosso tempo nós o considerávamos “gênio” que hoje, não sabemos o porque “é super dotado”.
Retornamos à sala. E não se discutiu apenas aspectos das vidas dos gênios. “o míope” pegou um rumo e levou a “prosa” para o fato de que com tão pouco espaço escolar, rudimento mesmo de ensino mesmo assim se lia, se estudava, se prestava vestibular e já então longe das famílias mais de 700 quilômetros porque tudo convergia para Salvador. Não sei o que deu em mim mas mandei fazer silêncio. Como está frio liberei o vinho e preferimos conversas informais para matar as saudades de antanho que não parecem tão longínquas embora estejam... Saber sobre o rei de Hamelet bem como curtir Dom Quixote desde há 70 anos atrás é muito bom. Sem duvidas!




