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REVOLTANTE...

Poderíamos até comemorar os 52 anos de formatura e pleno exercício da MEDICINA sem deslize, sem processo e por ai em diante. Nada mais que a obrigação e resultado da correta formação profissional recebida na minha mais bi-centenária Faculdade de Medicina da Bahia. Não parece que as coisas estão mudando. Já mudaram. Em cadeia de televisão, horário nobre, eis que lá no Rio Grande do Norte, numa cidade que até preferíamos omitir o nome, um médico, em plena função, pelo fato de não colocar um “f.d.p.” com prioridade ou seja “na frente”, é agredido durante algum tempo o já encanecido “esculápio”. O médico defende como pode mas o brutamontes espanca o “doutor”.

Chocados ficamos. Ai deixamos de lado a TV e fomos para o quarto de formatura e claro todo mundo jovem, esperançoso em exercer a medicina . Tentamos contato com um dos colegas “ainda vivos” como dizemos entre nós e não conseguimos. Ai nos recordamos o querido Dr. Oliveiros Guanais (já falecido) e veio a mente o fato que na época nos pareceu até inusitado (mas o doutor está ai, estivemos com ele há dias) há 20 anos atrás. Aos fatos de então: numa Unidade de Saúde daqui (na Bahia é Centro de Saúde) uma auxiliar de enfermagem foi espancada por um “cliente, sexo masculino, usuário de drogas pelo simples fato de não ter a funcionária o colocado logo para ser atendido”. Acontece que a “área de abrangência da Unidade” já naquela época era “considerada como pesada ou perigosa”. E dois clientes resolveram pegar o agressor e espancá-lo com uma lesão no braço. Transportado para a Santa Casa a anestesia foi iniciada pelo residente que havia sido meu aluno desde o 4º ano. Tudo ocorreu bem, o órgão foi retirado, a reposição sanguínea do marginal foi feita.

Dois dias após o ato o residente nos procurou (éramos o Presidente da Comissão de Residência Médica) e nos entregou a carta de “renuncia” como chamávamos. Tomava a decisão porque, sabedor que foi previamente de como aquele “marginal” chegou para a cirurgia, durante alguns instantes “passou em sua cabeça que poderia fechar o fluxo do oxigênio e se estaria livre “daquilo”. E porque havia pensado assim deixaria a especialidade e pedia para transferir-se para Clinica Médica.

Na época contactei com Dr. Oli (Oliveiros Guanais) que me parece fazia parte do Conselho Federal de Medicina e ele admirado ficou e chegou a conhecer o colega com que estivemos há alguns dias atrás numa cidade aqui da região onde clinica e vive muito bem.

Ainda bem que a televisão mostrava, la no Rio Grande do Norte, não um médico esmurrando um paciente nem mesmo fechando o fluxo de oxigênio. Lamentamos! Os tempos mudaram, e muito, segundo o Dr. Domêncio que em cima dos seus 93 anos já não mais opera mas dirige seu “Corcel” e atende se consultório lá pelas bandas de Cambui, MG. É amigos, HOJE É SEIS DE DEZEMBRO, fecho 52 anos de formado e na luta. Nunca apanhamos nem nunca batemos. Agora o que aparamos de meninos!... O que já operamos!... E o que já anestesiamos!... Não nem tempo de fazer riqueza “material, bem entendido”.

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