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É claro que as atenções estão voltadas para o “aedes” que dissemina o “zica” e como se levantou a suspeita (porque ainda não é diagnóstico definitivo) da anomalia em recém que chega ao mundo com o que denominou de “microcefalia”. Um problema que só agora provoca espanto e mobilização! Remexendo papéis encontramos dados que até espantam. Vejam bem, UGANDA é ainda um país que em termos de desenvolvimento fica no 163ª lugar e o Brasil fica no 73ª. Mas já em 1936 – ano em que eu nascia e que este ano completo 80 – funcionava o Instituto de Uganda de Pesquisa de Vírus e tal instituição já em 1947 havia identificado o “aedes” no sangue de macacos. Então se as autoridades fora de Uganda quisessem usar a experiência ugandense não haveria, com certeza, necessidade de se está desenvolvendo luta nacional no combate do aedes. Interessante que um pesquisador ugandense de nome Julius Lutwama fez uma recente declaração que não houvesse “o grito de agora no Brasil” não saberíamos. Disse:

- “Temos ampla flora, ampla fauna e, claro, boa temperatura, bom clima. E o que é bom para humanos é bom também para o vírus”(é o zica, né?).

O nosso alvoroço – e o aedes carregando “zica” – só se alastrou depois que lá em Pernambuco se começou a relacionar a presença do zica infectando grávidas e dando como prováveis(é nossa observação) crianças microcefálicas. Pelos estudos retrospectivos o zica não era considerado como agente de doença “maligna”. Ao contrário, segundo estudiosos lá de Uganda(é onde nós agora nos fixamos) a zica quando ataca num grupo de dez pessoas, no máximo duas irão apresentar pique de pouca febre. Temos que olhar para Uganda que é um exemplo em prevenção de doenças “tropicais”, doenças “de pobres” que são relegadas quanto ao combate da mesma maneira que dengue e chikungunha. Aliás, se formos elencar o que neglecia o Brasil, seremos campeões mundiais... Ser pobre no Brasil é bom para políticos...

Se o zica foi negligenciado, imagine só se nós pularmos para abordar o câncer vulvar conhecido como Neoplasma Intraepitelial Vulvar conhecido pela sigla NIV. É um tipo de câncer que atinge com preferência mulheres a partir dos 50 anos e que começou a ser estudada a partir de 1922 por médicos franceses. No inicio não se esperava aumento significante mas com as mulheres atingindo mais idade que 50 anos, hoje grupos de 65 a 70 anos são fáceis de se encontrar, a incidência da NIV praticamente triplicou principalmente no grupo acima de 55 anos. Há necessidade de se agilizar os exames para diagnostico da doença porque depois de estabelecida na maioria dos casos a doença avança com rapidez apesar das medidas terapêuticas à disposição. Isso todavia não é o mais frequente, felizmente assim achamos, porque nos permite um diagnóstico e tratamento que poderá ser a salvação. Exame ginecológico cuidadoso e colposcopia vulvar é caminho a seguir. Poderemos até voltar – a contragosto – ao tema. Estamos no mês dois e duas pacientes foram diagnosticadas. Uma sobrevive e a outra apesar da atenção em Barretos não sobreviveu.

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