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MAIS QUE 51!

Já na madrugada – e não é hábito – acordei e olhei para uma folhinha: 06 de dezembro, 2015. Pleno Século 21 que deve ser grafado XXI (é assim). E todo um susto porque veio à mente que hoje – ainda vivo, é óbvio, e atuando – com remanescentes da minha turma fecha-se 52 anos de formado em MEDICINA. Numa parede do escritório há pequeno quadro com a lista que tenho que fazer leitura. Foram 60 naquela sexta-feira seis do último mês de 1963 que galhardamente e com suas becas (todas pertencentes à Universidade e sob aluguel) receberam, sob juramento “em Latim” o que Hipocrates deixou para atravessar os tempos... Confesso: acordado e chorando porque a maioria já não se encontra entre nós. Fico a repetir nomes mentalmente e com certeza se encontrarmos com alegria nos reconheceremos apesar das rugas, dos cabelos brancos ou “das carecas”. Alguns deverão estar alegres. Outros, é óbvio, devem carregar tristezas pela vida vivida. Uma certeza: nenhuma dos sobreviventes pedudia ELA, A MEDICINA, amante cultivada, mimada, curtida e adorada durante anos na Faculdade, nas enfermarias dos hospitais, nos “stress” das salas de parto e cirurgia. ELA, A MEDICINA, para todos – com certeza absoluta – continuou e continuará a namorada de sempre porque a formação durante os seis anos e mais o pós-graduação foi cuidadosa e a recordação de cada um dos MESTRES permanece sendo marcante em cada um de nós se ainda vivo esteja. Claro que decepcionados, de outro lado, com os rumos que a partir de 1964 (apenas damos como referência) com a violação dos preceitos médicos e, sobretudo, pelo aviltamento do médico e descaso pela saúde como um todo. HOJE – 52 anos após “receber o grau e colocar o anel que a genitora fez questão de comprar com suas economias de casa” – faço parte de uma reduzida galeria de viventes. Já não ouço o grito ao longe de “Big-Gim”... Já não tenho confidente” Já não tenho aqueles a quem chamava e tinha certeza que eram COLEGAS! É coisa do tempo. Umas coisa fica de pé, olhando o ingresso de novas turmas desde 1888: a querida ESCOLA DE MEDICINA DE TERREIRO DE JESUS, lá em Salvador, Bahia, que segundo alguns D. João VI, sem fundador, fez a única coisa certa naquele ano, mês de fevereiro, por sinal. Quando fechamos aos 51 anos pelo menos um da turma, com sua voz já de “idoso” gritou no telefone: olha que é uma boa idéia! É a vida devemos vivê-la. Como médico, sem dúvida.

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