Iniciativa envolve estudantes do ensino médio na criação de uma empresa júnior de ecoturismo e já realizou sua primeira trilha. (Foto: Arquivo do projeto Mocótur) Apresentar a região da Chapada Velha, na Bahia, por meio de trilhas guiadas e com foco no turismo sustentável é a proposta do Mocótur, um projeto de extensão que está sendo desenvolvido no IF Baiano – Campus Xique-Xique. Embora a região, situada no ecossistema da caatinga, que abrange municípios como Xique-Xique e Gentio do Ouro, abrigue diversas riquezas naturais, culturais e achados arqueológicos, grande parte da comunidade local não as conhece a fundo.
Diante dessa realidade, surgiu a iniciativa de levar a comunidade a conhecer o próprio território de forma sustentável, consciente e educativa. “A gente, enquanto grupo de professores e servidores do IF Baiano, já conhecia a região e percebeu que ela é pouco explorada ainda pela população”, explica Carolina Gonzales, professora do IF Baiano e coordenadora do projeto. Segundo ela, quando o grupo pergunta a moradores de Xique-Xique se conhecem a região, quase a maioria diz que não. “Então, [o projeto nasceu] dessa necessidade de fazer com que as pessoas conheçam a região, valorizem e se sintam pertencentes a esse lugar que é tão bonito e tão rico”, completa.
Além do baixo conhecimento da comunidade local sobre o próprio entorno, os realizadores do projeto identificaram que Xique-Xique e Gentio do Ouro carecem de empresas formalizadas no setor de turismo receptivo, lacuna que a iniciativa também busca preencher. O projeto tem como eixo, portanto, o desenvolvimento de uma Empresa Júnior de Ecoturismo, gerida com a participação de estudantes do ensino médio do IF Baiano e o apoio de professores orientadores. A proposta é que os jovens estejam envolvidos em todas as etapas, desde a construção da identidade visual, passando pela definição dos pacotes de passeios, até a divulgação e a condução das excursões.
“A proposta da empresa júnior é despertar nos nossos estudantes também mais uma possibilidade no mercado de trabalho. Dentro do instituto, eles tão em contato com o ensino, com a pesquisa, com a extensão, e a gente incentiva muito que eles estudem pra entrar numa universidade. Eles também têm a parte técnica. Então vão sair formados como técnicos em agropecuária e meio ambiente”, comenta Gonzales. Para a docente, o empreendedorismo é mais uma oportunidade de carreira que se abre para eles e que está conectada com “os princípios e valores de uma exploração sustentável e consciente”.
O estudante do IF Baiano e bolsista do projeto Heinrik Andrade conta que vem aprendendo muito sobre a região com a participação no projeto: “Aprendi vários valores aqui da região, como, por exemplo, o ciclo da mineração aqui em Santo Inácio. Aprendi também que antes da mineração aqui viviam os povos originários e também aprendi um pouco sobre as formações rochosas aqui das trilhas e das tocas”.
Ele também destaca a experiência de participar da construção de uma empresa que responde a uma demanda local. “Está sendo uma experiência incrível, porque a gente tá aprendendo a participar de uma marca definitivamente, aprendendo várias etapas de como criar uma marca, como participar e como se envolver. E também ter uma visão mais empreendedora, conhecendo as belezas naturais aqui da região da Chapada Velha, como, por exemplo, Santo Inácio, que tem formações rochosas incríveis e que estamos com o projeto e com a empresa, visualizando tudo isso e aprendendo muito mais”, relata.



