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Bahia pode registrar temperaturas acima de 41°C e umidade em níveis críticos nos próximos dias No centro-norte e no nordeste baiano, o período corresponde à estação seca climatológica, com menor expectativa de precipitações. (Foto: Matheus Lemos / Inema)

Segundo o monitoramento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), nos próximos dez dias devem ser marcados por calor intenso, baixa umidade do ar e pouca possibilidade de chuva na maior parte da Bahia. Em algumas localidades do centro-oeste baiano, as temperaturas máximas podem ultrapassar os 41 °C, enquanto a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 15%, condição considerada bastante crítica e que aumenta o risco de incêndios florestais e de agravos à saúde da população.

O cenário mais seco deve predominar até o início da segunda quinzena de outubro. Entre os dias 10 e 15, a previsão do instituto indica tempo predominantemente seco em grande parte do estado, com possibilidade de chuvas rápidas e isoladas em áreas do centro-leste, sem expectativa de volumes significativos. As temperaturas devem permanecer elevadas.

A partir do dia 17, há previsão de ocorrência de chuvas em áreas da metade sul e do oeste da Bahia. Entre os dias 15 e 20, a tendência é de aumento da instabilidade no centro-oeste, com possibilidade de volumes mais expressivos no oeste, enquanto o centro-leste ainda deve registrar chuvas fracas e

Para o meteorologista e coordenador de Estudos de Clima e Projetos Especiais do Inema, Aldírio Almeida, o comportamento previsto está relacionado ao período de transição do regime de chuvas na Bahia. “Esse período entre setembro e novembro marca o fim das chuvas mais frequentes no setor leste e o início da estação chuvosa no centro-sul e no oeste baiano. É um período de transição, em que as condições atmosféricas podem variar bastante entre as diferentes regiões do estado”, explicou.

O meteorologista aponta ainda que a previsão climática para o trimestre indica maior probabilidade de volumes de chuva abaixo da média histórica no centro-sul. No centro-norte e no nordeste baiano, o período corresponde à estação seca climatológica, com menor expectativa de precipitações.

El Niño ajuda a explicar o cenário

As condições do Oceano Pacífico também influenciam o cenário. As temperaturas da superfície do mar no Pacífico leste apresentam anomalias fortes, mantendo a atuação do El Niño durante o trimestre. O fenômeno altera padrões de circulação atmosférica e pode influenciar a distribuição das chuvas e das temperaturas.

Na Bahia, a previsão indica temperaturas acima da média durante o período. Ao mesmo tempo, as condições do Atlântico Tropical apresentam um padrão que pode favorecer a ocorrência de chuvas em partes do Nordeste, incluindo a Bahia, especialmente à medida que a estação chuvosa avança em algumas regiões.

Para a população, o cenário exige atenção especialmente nos próximos dias, devido à combinação de calor elevado, ar muito seco e maior risco de incêndios em áreas com menor disponibilidade de água na vegetação. A previsão de chuva para a segunda quinzena pode trazer algum alívio, mas não representa uma mudança uniforme das condições em todo o estado.

O Inema segue monitorando as condições meteorológicas e atualizando as previsões conforme a evolução dos sistemas atmosféricos. Diante da baixa umidade e das altas temperaturas, a orientação é aumentar a ingestão de líquidos, evitar atividades físicas e exposição direta ao sol nas horas mais quentes, utilizar hidratante para a pele e, sempre que possível, manter os ambientes umidificados.

Em situações mais extremas ou diante de ocorrências relacionadas ao tempo, a população pode buscar orientação junto à Defesa Civil, pelo telefone 199, ao Corpo de Bombeiros, pelo 193 e ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192.

Articulação com Governo Federal garante R$ 1,42 milhão para reforçar abastecimento de água Recursos de assistência humanitária permitem aos municípios contratar caminhões-pipa e custear combustível para levar água potável às populações afetadas pelo El Niño. (Foto: Feijão Almeida / GOVBA)

A articulação do Governo da Bahia com o Governo Federal já apresenta resultados concretos no enfrentamento aos efeitos do El Niño. Recursos de assistência humanitária no valor de R$ 1,42 milhão estão sendo destinados diretamente aos municípios para contratação de caminhões-pipa e aquisição de combustível, reforçando o abastecimento de água potável, principalmente para populações rurais em situação de insegurança hídrica.

Nesta etapa, os recursos contemplam Condeúba, Jaguarari, Manoel Vitorino, Andaraí, Riachão do Jacuípe, Boa Vista do Tupim, Valente e Gavião. A medida complementa a Operação Carro-Pipa, desenvolvida pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, por meio do Exército, ampliando a capacidade dos próprios municípios de executar ações de abastecimento.

Os valores destinados a cada município são definidos a partir de critérios que consideram a população a ser atendida e a necessidade de caminhões-pipa para o abastecimento. O apoio prevê recursos para locação dos veículos e combustível por um período de 90 dias, permitindo que os municípios executem diretamente as ações de distribuição de água.

Ações concretas

Para o coordenador executivo da Coordenação de Acompanhamento de Políticas de Inclusão Socioprodutiva e Sustentabilidade (COPIS), da Casa Civil do Estado da Bahia, José Augusto de Castro Tosato, o repasse materializa o trabalho de articulação desenvolvido nos últimos meses.

“Desde o início, o objetivo da articulação foi transformar planejamento e integração entre os governos em ações concretas para a população. Esses recursos mostram esse resultado na prática, fortalecendo a capacidade dos municípios de agir diretamente onde a estiagem já compromete o abastecimento de água”, afirma Tosato.

Da articulação à resposta

A liberação dos recursos é resultado do trabalho integrado desenvolvido nos últimos meses pelo Estado com o Governo Federal e os municípios para antecipar e organizar as respostas aos efeitos do El Niño. A estratégia envolve a identificação das necessidades locais, a definição das prioridades e a busca de instrumentos capazes de garantir respostas mais rápidas nos territórios.

Segundo o superintendente de Proteção e Defesa Civil da Bahia, Osny Bomfim, a participação dos municípios é fundamental para que as ações alcancem as comunidades mais afetadas. “É no município que os efeitos da estiagem são sentidos diretamente pela população. Essa integração permite identificar as necessidades locais e transformar o planejamento em resposta, garantindo condições para que os municípios atendam as comunidades que mais precisam”, destaca Osny.

Presidente da UPB defende “operação de guerra” para os efeitos do El Niño Wilson Cardoso participou do Diálogo Federativo e defendeu ações imediatas contra impactos climáticos. (Foto: Divulgação / UPB)

O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, defendeu uma “operação de guerra” imediata para garantir o abastecimento de água nos municípios que poderão enfrentar maiores dificuldades diante dos efeitos das mudanças climáticas e do El Niño no Nordeste. O gestor participou nesta segunda-feira (24) do Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026-2027, encontro regional promovido virtualmente pela Secretaria de Relações Institucionais do Governo Federal.

“Precisamos estar preparados para agir antes que a emergência aconteça e garantir que os municípios que mais precisam tenham o apoio necessário”, resumiu o presidente da UPB. Entre as medidas apontadas estão acontratação de carros-pipa, a ampliação dos sistemas de abastecimento e a instalação de poços já perfurados, com prioridade para as localidades mais vulneráveis do semiárido baiano e para a agricultura familiar. O gestor, que também é prefeito de Andaraí, defendeu ainda um olhar diferenciado para os municípios de menores receitas, que dependem das transferências constitucionais para manter ações e serviços básicos.

Wilson Cardoso também sugeriu o fortalecimento da articulação em rede para proteger a agricultura familiar e combater incêndios florestais, citando iniciativas municipais como a utilização de drones para identificar focos de incêndio e áreas de risco, além da necessidade de ampliar a capacidade de monitoramento e prevenção.

Nesse sentido, o presidente da UPB ressaltou a relevância de ações de desburocratização, a exemplo do Cartão Defesa Civil, criado em 2011, como instrumento para dar mais agilidade à atuação dos municípios, com recursos destinados às ações de socorro e assistência em situações emergenciais. Para ele, “União, Estado e municípios precisam estar de mãos dadas e trabalhando de forma integrada, compartilhando informações, estruturas e recursos”.

A UPB também propôs uma atuação interfederativapara agilizar os casos de decretação de situação de emergência e desburocratizar a liberação de medidas de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas. Como parte dessa mobilização, a entidade realizará, em parceria com a Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Presidência da República, no próximo dia 1º de setembro, das 9h às 12h, em sua sede, uma reunião voltada à preparação dos municípios baianos para os possíveis efeitos do El Niño.

A agenda reunirá prefeitos, prefeitas, secretários municipais e gestores das Defesas Civis, com a participação da Casa Civil, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e de outros ministérios relacionados ao tema. Durante o encontro, o Governo Federal apresentará o Painel El Niño, com informações e orientações para apoiar o planejamento das prefeituras, o monitoramento de riscos e a capacidade de resposta diante de eventuais emergências.

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