Francisco Sá: Reminiscências biográficas
Há pessoas ilustres que todos sabem que um dia elas existiram. Pois alguma coisa ficou marcada na história para imortalizar-lhes as memórias. Há, entretanto, aqueles que pouco se sabe sobre eles, mas, no entanto, têm uma longa e bela história de vida dedicada ao próximo e ao desenvolvimento da terra que tanto ama. Assim, aqui é o caso do ilustre homem público Dr. Francisco Sá, sertanejo valoroso que trouxe para Montes Claros a estrada férrea e disse em alto e bom som que a cidade de Montes Claros tem “o coração robusto do sertão mineiro”. Em homenagem a esse feito, o povo montes-clarense mandou erguer uma estátua na Praça Raul Soares, em frente da Estação com os seguintes dizeres: “A Francisco Sá – 14 de setembro de 1930 – Em uma tarde como esta, muito depois, as gerações que a esta geração sucederam, diante do seu monumento, repetirão ainda: Esse foi o nosso melhor amigo”.
O mais interessante é que o próprio Francisco Sá conta o início de sua trajetória. Vejamos: “Eu nasci a 14 de setembro de 1862, na fazenda do Brejo de Santo André, pertencente ao meu avô, Francisco José de Sá, quatorze léguas distante da cidade de Grão Mogol, a cujo município pertence, e distante de duas léguas da freguesia de Santo Antônio do Gorutuba. Nessa igreja fui batizado pelo padre Benício Alves Ferreira”.
A fazenda Brejo de Santo André, fica numa distância de cento e vinte quilômetros da cidade de Montes Claros e pertence ao município Brejo das Almas (atual cidade de Francisco Sá). Os pais de Francisco Sá foram: Francisco José de Sá Filho (1832-) e dona Augustinha Josefina de Sá. Conta nos anais da história que o casamento dos pais de Francisco Sá ocorreu na surdina. Dona Mariana, a sua avó materna, em concordância do marido Josefino Machado, combinou com o seu avô paterno o enlace matrimonial de seus filhos. Numa tarde, a jovem Augustinha Josefina passeava com a sua prima Olimpinha, quando o jovem rapaz – Francisco José de Sá Filho - passava na calçada do outro lado da rua. – “Quem é aquele novato a perambular pela calçada? Esse é o seu noivo, disse-lhe Olimpinha.O casamento de Francisco José de Sá Filho com dono Augustinha foi realizado no dia primeiro de fevereiro de 1860. No ano de 1861 os nubentes foram morar na fazenda Brejo de Santo André e somente no dia 14 de setembro do ano seguinte nascia o menino Francisco Sá.
O livro “Francisco Sá: Reminiscências biográficas” – de 1938, organizado por um grupo de amigos e parentes (Carlos Sá, Aurélio Pires, Camillo Prates, Alfredo Sá, Gudesteu Pires, Auto de Sá, Francisco Sá Filho, Dermeval Lessa e Paulo Sá), retrata com fidelidade toda a trajetória de vida e de trabalho, em prol do desenvolvimento, desse homem que foi um “Mauá” para o Brasil e o Norte de Minas. O livro, que não foi colocado à venda, apenas trezentos exemplares, dos quais trinta deles assinados por todos os filhos de Francisco Sá, e o restante que leva a rubrica de Carlos Sá. A edição do livro “Francisco Sá: Reminiscências biográficas” foi feita para dona Olga Accioly com a seguinte dedicatória: “Será seu, mesmo assim, Mamãe, o livro que conta a vida de Papai. Mas em vez de ficar entre as medalhas e as imagens queridas do seu oratório, será apenas como um ramo daquelas flores que toda quinta-feira a senhora levava ao túmulo, hoje também seu, aos pés do qual, para entregar-lhe, nos joelhamos todos os seus desolados filhos”. Francisco Sá foi Deputado provincial de 1888 a 1889, Deputado Geral em 1889, Deputado Federal de 1897 a 1905, Senador da República de 1906 a 1930. Francisco Sá faleceu no dia 23 de abril de 1936.




