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Bahia se consolida como referência em Vigilância em Saúde Ambiental No campo do planejamento, a Bahia foi pioneira ao elaborar o primeiro Plano Setorial da Saúde para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas do Brasil. (Foto: Freepik)

A Bahia tem se destacado no cenário nacional pela atuação em Vigilância em Saúde Ambiental (VSA), consolidando-se como referência ao integrar ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida diante dos impactos crescentes das mudanças climáticas.

O aumento de eventos extremos, como enchentes e deslizamentos, aliado à elevação de doenças relacionadas ao meio ambiente, reforça a importância da vigilância ambiental como estratégia essencial para a proteção da saúde da população. No estado, esse trabalho é coordenado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (SUVISA) e da Coordenação de Vigilância em Saúde Ambiental (COVIAM).

Entre os principais desafios enfrentados estão a rotatividade de profissionais nos municípios, as limitações técnicas para execução das ações de vigilância e as desigualdades históricas no acesso à água de qualidade e a ambientes saudáveis. Para enfrentar esses obstáculos, o estado tem investido no fortalecimento da gestão local, na capacitação das equipes e na oferta contínua de apoio técnico aos municípios.

No campo do planejamento, a Bahia foi pioneira ao elaborar o primeiro Plano Setorial da Saúde para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas do Brasil. Com horizonte de até dez anos, o plano estabelece diretrizes estratégicas para reduzir riscos e ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde.

A atuação da Vigilância em Saúde Ambiental no estado é estruturada por programas como o VIGIAGUA, responsável pelo monitoramento da qualidade da água para consumo humano; o VIGIPEQ, voltado ao acompanhamento de populações expostas a contaminantes químicos; o VIGISSOLO, que monitora áreas com potencial de contaminação do solo; e o VIGIAR, dedicado à vigilância dos efeitos da poluição do ar sobre a saúde.

Nos últimos anos, essas ações têm gerado resultados concretos, como a ampliação do acesso à água de qualidade, o monitoramento em áreas urbanas e rurais, a capacitação de equipes regionais e municipais, além do apoio aos municípios em situações de desastres, investigações de surtos e ações de fiscalização integrada.

Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, a Bahia também tem ampliado sua capacidade de resposta por meio da incorporação de tecnologias e da implantação de salas de monitoramento para acompanhamento de ocorrências, como chuvas intensas. Equipes de resposta rápida atuam diretamente em campo, realizando avaliação de riscos, coleta de amostras e orientação de medidas emergenciais. A ausência dessas ações pode resultar em consequências graves, como o aumento de doenças de veiculação hídrica, a exposição a substâncias tóxicas, a proliferação de vetores e o agravamento de desastres.

O protagonismo da Bahia na área também se reflete na participação em espaços estratégicos nacionais e internacionais, como a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), a Comissão Intergestores Tripartite, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e congressos do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS).

A participação da população é fundamental para a prevenção. Medidas simples, como evitar água parada, descartar resíduos corretamente e utilizar produtos químicos com responsabilidade, contribuem diretamente para a promoção da saúde e a redução de riscos ambientais.

Bahia recebe visita técnica do Ministério da Saúde para implantação do primeiro Centro de Informação em Saúde e Clima do Brasil A iniciativa integra um projeto estratégico nacional, e a Bahia foi selecionada para compor o grupo inicial, que participará dessa implementação, em reconhecimento ao compromisso da gestão estadual. (Foto: Ascom/Sesab)

Nestas quarta e quinta-feira (29 e 30), a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) recebeu a visita técnica de representante do Ministério da Saúde como parte do processo de implantação do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) no estado.

A iniciativa integra um projeto estratégico nacional, e a Bahia foi selecionada para compor o grupo inicial, que participará dessa implementação, em reconhecimento ao compromisso da gestão estadual com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a inovação na gestão pública e a construção de respostas efetivas frente aos desafios contemporâneos.

Os Centros de Informação em Saúde e Clima representam uma abordagem inovadora para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas na saúde da população. A proposta é fortalecer a capacidade de antecipação de riscos, o monitoramento de eventos climáticos extremos e a organização de respostas rápidas, integradas e baseadas em evidências.

Durante a visita, foram realizadas reuniões técnicas e institucionais na sede da Vigilância em Saúde, em Salvador, com a participação de áreas estratégicas, incluindo o Núcleo de Inteligência em Vigilância em Saúde, a vigilância epidemiológica, ambiental, de emergências em saúde pública e a Coordenação Geral de Tecnologia da Informação e Comunicação na Saúde. A agenda também contemplou discussões sobre integração intersetorial e alinhamento das etapas para estruturação do Centro no estado.

A escolha da Bahia considera sua relevância estratégica no cenário nacional, marcada por ampla diversidade territorial e climática, além de desafios relacionados a eventos hidrometeorológicos extremos, como secas prolongadas no semiárido e chuvas intensas em áreas urbanas e costeiras, com impactos diretos sobre populações em situação de maior vulnerabilidade.

O Ministério da Saúde atuará em parceria com o Estado, oferecendo suporte técnico e apoio direto para a implantação do CISC, incluindo investimentos em tecnologia da informação e recursos humanos.

Para fazer frente às mudanças climáticas, Embasa amplia ações em segurança hídrica Estratégia será debatida em evento comemorativo ao Dia da Água. (Foto: Elemilson Negão/ Ascom Embasa)

Como parte das comemorações ao Dia Mundial da Água celebrado neste domingo, 22 de março, a Embasa realiza na próxima terça-feira (24), um encontro reunindo lideranças institucionais, equipe técnica e convidados visando fortalecendo o debate sobre práticas sustentáveis e reflexões sobre o papel da água como bem público essencial e os desafios relacionados à segurança hídrica. O evento será realizado a partir das 9h, no Parque da Embasa no Lucaia (Rio Vermelho).

Entre as discussões, destaque para a ampliação da estratégia de segurança hídrica da empresa, que conta com investimentos da ordem de R$ 23 milhões, voltados ao monitoramento e à gestão dos mananciais utilizados em sua área de atuação. O conjunto de iniciativas busca fortalecer a capacidade de resposta da empresa diante dos impactos das mudanças climáticas, como a irregularidade das chuvas, eventos extremos e pressão crescente sobre os recursos hídricos. A estratégia está baseada na ampliação do monitoramento, no uso de tecnologias avançadas e na geração de dados hidrológicos e operacionais qualificados para suporte à tomada de decisão.

Para o biólogo Fabrício Tourinho, gerente socioambiental da Embasa, o avanço das mudanças climáticas se coloca atualmente como o principal desafio para as companhias de abastecimento. “Nesse cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, torna-se fundamental o apoio da tecnologia para minimizar os impactos destes eventos, que exigem adaptação contínua das empresas de saneamento”, destaca.

O cenário recente reforça a importância desses investimentos. No início de fevereiro, por exemplo, fortes chuvas associadas à passagem de uma frente fria provocaram impactos operacionais em diversos sistemas de abastecimento no interior da Bahia. Houve interrupções temporárias no fornecimento de água em municípios de diferentes regiões em função de alterações na qualidade da água bruta, alagamentos em estruturas operacionais e danos em equipamentos e redes de distribuição.

“A recorrência desses eventos evidencia a crescente exposição dos sistemas aos riscos climáticos e reforça a necessidade de aprimoramento contínuo da gestão operacional”, frisa.

Principais linhas de ação | Dentre os projetos em curso, a Embasa está desenvolvendo a modelagem hidrodinâmica e de qualidade da água das barragens de Pedra do Cavalo (foto) e Joanes II, responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de Salvador (RMS). “Este tipo de projeto utiliza ferramentas técnicas para simular cenários operacionais e climáticos, avaliar riscos e orientar a gestão dos recursos hídricos com maior precisão”, define o biólogo e gerente socioambiental da Embasa, Fabrício Tourinho.

Os principais resultados esperados incluem a ampliação da capacidade de antecipação de eventos que impactam a qualidade da água, permitindo ajustes operacionais preventivos, redução de riscos operacionais e maior eficiência no planejamento das estações de tratamento, além de suporte técnico qualificado para decisões em situações críticas.

Outro eixo estruturante da estratégia de segurança hídrica é a implantação e ampliação da rede de monitoramento hidrometeorológico, com cerca de 60 pontos de coleta distribuídos em diversas regiões hidrográficas do estado. Com aporte estimado em R$ 12 milhões, o sistema permitirá o acompanhamento em tempo real de variáveis como chuva, vazão e nível dos reservatórios, ampliando a previsibilidade operacional e a capacidade de resposta a eventos críticos.

Estratégia prioritária - Além disso, a estratégia contempla projetos voltados à identificação precoce de alterações nos mananciais, contribuindo para ajustes nos processos de tratamento e prevenção de problemas como eutrofização e proliferação de cianobactérias. Também integram o pacote de investimentos ações de diagnóstico ambiental, remediação de reservatórios e projetos de recuperação de bacias hidrográficas, reforçando o compromisso da empresa com a proteção dos mananciais e a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento.

“O fortalecimento da segurança hídrica é uma prioridade estratégica diante do cenário de mudanças climáticas e crescimento urbano, que ampliam a demanda por água e aumentam a complexidade da gestão dos recursos disponíveis. Este conjunto de investimentos contribui para aumentar a resiliência dos nossos sistemas, garantindo a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população baiana”, pontua o presidente da empresa, Gildeone Almeida.

As ações estão alinhadas ao Marco Legal do Saneamento (Lei nº 11.445/2007), à Política Nacional de Recursos Hídricos e às diretrizes de segurança da água, incorporando a variável climática à gestão dos sistemas e fortalecendo a resiliência operacional. As iniciativas integram o planejamento estratégico da companhia e possuem potencial de ampliação progressiva para toda a sua área de atuação, consolidando a segurança hídrica como eixo estruturante da sustentabilidade dos serviços de abastecimento.

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