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Desaparecimento de pessoas é a maior dor do mundo

Não se sabe ao certo como se mede a dor, mas existem definições de graus para dores físicas e, não raro, especifica-se a maior dor do mundo, possivelmente a mais intensa. Contudo, tal definição é imprecisa. A maior dor é o desaparecimento de um ente querido, sendo superior, inclusive, à dor causada pela morte. Esta última possui um desfecho conclusivo. O vazio e a falta de respostas são as maiores causas do sofrimento daquele que procura por uma pessoa que desaparece.

O sofrimento começa no ato do desaparecimento, momento em que a pessoa mais próxima se sente culpada. Passa a imaginar o que deveria ter feito para evitar o ocorrido. Se o fato ocorreu numa viagem, pensa que não deveria ter permitido o trajeto, mesmo que centenas de outras viagens já tivessem ocorrido normalmente. Se ocorreu em casa, o responsável acha que não deveria ter saído. Esse roteiro se repete em qualquer forma de ocorrência.

Depois, surgem as indagações sobre as razões da saída. Se a pessoa foi vítima de tráfico internacional, como está vivendo ou se está sendo explorada; se vinha sofrendo algum abuso sexual com ameaças graves. Essas buscas por respostas perduram enquanto se mantiver a ausência ou enquanto a mãe e familiares próximos viverem. Posteriormente, a dor segue aumentando com as preocupações relativas ao modo de vida que o desaparecido está levando e ao seu bem-estar. Indaga-se se dorme na rua ou até se foi adotado por famílias ricas, com muito conforto e perspectivas materiais, motivo pelo qual nunca mais quereria saber da família originária.

Na próxima fase, iniciam-se as buscas por meio de ligações a amigos e colegas de escola; surgem as buscas pessoais em delegacias, hospitais e institutos médicos legais, mas sempre na esperança de encontrá-lo com vida. A desesperança, em parte, vem com o passar dos dias, meses e anos.

No processo seguinte, surgem as mágoas com os órgãos oficiais envolvidos. Enquanto para os parentes o caso é a coisa mais importante de toda a vida, para as instituições o tratamento é burocrático e rotineiro. É o maior desencontro entre o ápice da emoção e a frieza da razão.

Entretanto, a participação articulada entre os governos municipais, estaduais e federal poderia ser bem mais eficaz. Outra medida relevante seria o compartilhamento de fotos com o nome dos desaparecidos em painéis luminosos de metrô, terminais de ônibus, aeroportos e em TVs, ainda que não em todo o período, mas em alguns momentos.

Outra medida seria criar ou utilizar algum banco de dados, alimentado pelas secretarias municipais e estaduais de saúde, de segurança e outras com o DNA de todas as pessoas que são sepultadas sem identificação, atribuindo-lhes um único número armazenado junto ao material genético. Deve ser, presumidamente, permitido a todos os interessados realizar exames para aferição. O banco de dados realizaria, obrigatória e periodicamente, um batimento automático entre os dados dos desaparecidos e os dos interessados que disponibilizassem seus DNAs.

Além disso, ao publicar as informações neste site, deveria haver uma autorização automática dos familiares para o compartilhamento por quem se interessar. Para quem procura uma pessoa, seria um esforço mínimo para um resultado que traria alívio, paz e um desfecho. A dor continuaria, mas bem menor por se chegar a uma solução.

Outra medida importante seria a expansão da participação de empresas, com a exibição de fotos em suas embalagens e nos locais de grande circulação de pessoas, como rodoviárias e aeroportos, além de anúncios em serviços de som, especialmente com relação aos desaparecidos mais recentes.

Precisaria de muita empatia de todos os segmentos da sociedade e uma ação efetiva dos governos para trazer esse alívio a milhares de pessoas. Considerando-se que, no Brasil, mais de oitenta mil pessoas desaparecem por ano, esse número se multiplica por aqueles que ficam no maior sofrimento do mundo, muitas vezes eterno.

(Abril/2026)

"NÃO HÁ DEMOCRACIA ONDE O VOTO É OBRIGATÓRIO"

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