-16.jpg)
Com o objetivo de levar qualidade de vida para moradores de regiões isoladas e proporcionar experiência humanitária para futuros médicos, a 8ª edição de Missão Amazônia, projeto idealizado pela Inspirali, principal ecossistema de educação médica do país, do qual a UniFG faz parte, deu continuidade ao atendimento e assistência à saúde para moradores dessas comunidades ribeirinhas.
Dentro da política do SUS, a ação presta atenção primária à saúde e analisa a situação e condições de vida da população local, identificando riscos, vulnerabilidades e potencialidades para que seja possível intervir de forma mais assertiva nos problemas de saúde e necessidades da região de forma contínua.
A 8ª edição da Missão Amazônia aconteceu entre os dias 12 e 23 de agosto e levou consultas ginecológicas, pediátricas, cirurgias ambulatoriais e atendimentos de saúde da família em geral, incluindo diversas especialidades. Também foram realizados atendimentos por teleconsulta em parceria com as CIS (Clínicas Integradas de Saúde), da Inspirali, e a utilização de um Prontlife (Prontuário Eletrônico do Paciente), que atua na captação, armazenamento e gestão de dados para interoperabilidade de informações com o e-SUS.
Participaram 30 estudantes das escolas UniFG Guanambi (BA), AGES Jacobina (BA), AGES Irecê (BA), FASEH (MG), UAM Piracicaba (SP), UAM São José dos Campos (SP) e UNISUL Tubarão (SC) que embarcam junto à equipe de especialistas no Navio Hospital Escola Abaré, da UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará), instruídos por 8 professores e preceptores das escolas Inspirali, incluindo dois médicos egressos dos cursos de Medicina do ecossistema, veteranos da Missão Amazônia, que retornam para orientar os estudantes.
“Com a Missão Amazônia, temos a oportunidade de proporcionar atendimento a estas comunidades que, por questões geográficas, têm dificuldades a assistência médica especializada. Além disso, levarmos nossos estudantes para esta experiência em que atuam, de forma consciente e supervisionada, em uma realidade totalmente diferente daquela que vivenciam em suas universidades é realmente uma verdadeira aula de comprometimento e humanização na profissão”, destaca Rodrigo Dias Nunes, diretor médico da regional sul da Inspirali.
Os moradores das comunidades também receberam aulas de educação em saúde, onde os alunos de Medicina ensinaram as crianças princípios básicos de higiene, como lavar as mãos, escovar os dentes, e alguns ensinamentos sobre primeiros socorros.
Navio Hospital Escola Abaré
O navio-hospital Abaré, que leva a expedição, pertence à UFOPA e possui estrutura para atendimento clínico e odontológico. São quatro consultórios, sala para pequenas cirurgias e estrutura de laboratório para análises clínicas e radiografias, além de acomodações para os integrantes da Missão. A embarcação, de baixo calado, é própria para navegar em rios mais rasos, o que lhe permite chegar a mais comunidades e será utilizada em todas as expedições do projeto. Ao todo, a embarcação acomoda 55 pessoas, entre passageiros e tripulação.
Estudantes da UniFG compartilham experiências transformadoras na 8ª Missão Amazônia
O Centro Universitário UniFG foi representado por quatro alunos do campus Guanambi e pelo médico egresso Renê Dantas Machado, que já é veterano do projeto e atuou como orientador dos estudantes. Na visão dos missionários, é unânime o impacto transformador da expedição em suas trajetórias acadêmicas.
Maria Eduarda Paes de Assis, do 10° semestre, conta que sempre teve vontade de participar de atividades voluntárias e viu na Missão Amazônia a chance de viver essa experiência. Segundo a estudante de Medicina, a participação no projeto a permitiu compreender que pode fazer muito mais do que imaginava por um paciente.
“Nos deparamos com uma realidade que vai muito além da nossa bolha e do que podemos imaginar. Aprendi a ouvir mais, a entender melhor, a olhar para o outro procurando entender sua realidade. Aprendi que a Medicina sozinha não cura nada. Ela precisa de gente. Precisa de entrega, de amor, de compaixão e, principalmente, de muita escuta. E, assim, levo essa experiência para minha formação acadêmica, sendo exatamente quem eu quero ser na minha profissão e encontrando meu lugar nela”, afirma a futura médica.
Já para Isabel Miranda Fonseca Moreira, que cursa o 12º semestre, o mais surpreendente de toda a experiência é que não se resume apenas a ajudar e aprender. “Durante a missão, é possível ouvir, liderar e aprender mais do que ensinar com o paciente, conviver com as diferenças, conhecer lugares onde o dia a dia do outro acontece e enxergar além do que nossos olhos podem ver. A saúde é social, econômica e cultural; pode ser promovida sentado na areia à beira do rio ou em cima de um barco atracado”, ressalta.
Amanda Amorim Almeida, acadêmica do 12° semestre, também foi uma das representantes da UniFG na expedição. De acordo com a estudante, os dias no Abaré permitiram que ela tivesse ainda mais convicção da Medicina que quer exercer. “Ao fim da Missão, sinto que vivenciei ao máximo esse projeto e aprimorei muito a Medicina que quero exercer: mais empática, com melhor escuta e acolhimento. Todos os dias no Abaré foram renovadores e de uma empolgação extrema. Hoje, quero levar esse sentimento de entusiasmo para cada atendimento que realizar”, disse.
A curiosidade de viver a experiência e admiração pela medicina voluntária foi o que levou João Mário Bomfim Chaves a 8ª Missão Amazônia. Ele descreve os aprendizados e sentimentos que ficaram ao retornar da expedição: “Foi uma experiência indescritível e que levarei para o resto da minha vida. Uma população carente, com poucos recursos financeiros, além de viverem distante dos grandes centros, porém rica em amor, harmonia, paz e sabedoria, que sempre nos recebiam bem, nos ouviam e que no final das contas aprendíamos mais com eles do que eles com a gente. Sinto que tive uma grande evolução nessa viagem, não só como estudante melhorando meu raciocínio clínico, mas também como pessoa, aprendendo lidar mais facilmente com minhas emoções e com as adversidades”, relata o aluno do 10º semestre do curso de Medicina da UniFG Guanambi.
-16.jpg)