Sertão Hoje

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Apicultor de Vitória da Conquista faz etanol a partir de mel e dribla crise dos combustíveis

Quarta / 06.06.2018

Por Redação Sertão Hoje

A experiência de Luiz Jordans é inédita no Brasil, segundo engenheiros da área química, mecânica e estudiosos de biocombustíveis no país.

O apicultor Luiz Jordans Ramalho Alves, residente em Vitória da Conquista, não passou aperto durante a greve dos caminhoneiros com seu tanque cheio de etanol caseiro feito a partir do mel. O apicultor, de 46 anos, é autossuficiente em etanol desde 2015, quando, por insistência em aproveitar todo o descarte do mel, acabou descobrindo que era possível obter o combustível a partir do produto. A experiência de Jordans é inédita no Brasil, segundo engenheiros da área química, mecânica e estudiosos de biocombustíveis no país consultados pela BBC Brasil.

Na zona rural de Barra do Choça, cidade vizinha a Vitória da Conquista, Jordans possui um entreposto por onde passam de cerca de 10 toneladas de mel por mês. O mel que chega ao entreposto é comercializado em mercados de cidades da região sudoeste da Bahia, e do volume produzido sempre acaba voltando para o apicultor entre 0,5 e 1% de mel, chamado de descarte. Segundo o apicultor, o descartar do mel no meio ambiente é um risco às próprias abelhas, pois elas podem consumir o produto fermentado e acabar morrendo, o que prejudicaria a atividade.

Jordans é apicultor há quase 30 anos, mas o descarte só virou preocupação maior nos últimos dez anos, quando no entreposto aumentou seu movimento para 10 toneladas mensais. Em 2012, ele contratou uma consultoria que o auxiliou a montar um projeto sobre aproveitamento do descarte para produzir extratos de mel, como álcool etílico (conhecido como alimentício ou nobre) e, com isso, fazer cachaça ou aguardente de mel. Enviado para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), o projeto foi aprovado com verba de R$ 185.052,40 para o apicultor, que usou o dinheiro para comprar os equipamentos necessários ao processo de produção do álcool etílico. O financiamento público ocorreu por meio de uma proposta da fundação de abrir a pesquisa para empresas. A consultoria entrou como responsável técnica da pesquisa, já que o apicultor não é da área.

Em 2015, após acabar o financiamento da Fapesb, Jordans teve a ideia de enviar o produto restante para testes num laboratório de Salvador, que apontou que o líquido tinha graduação alcoólica de 80%, próximo às normas da ANP para o etanol hidratado, utilizado em veículos - que deve ter 94,5% de álcool. "Fiz um teste com meu carro e funcionou. Ele perde força, sobretudo em ladeiras ou durante ultrapassagens, aí tem de pisar mais no acelerador. Com o álcool hidratado da cana-de-açúcar, o carro faz 7 km com um litro, e com esse meu álcool de mel chega a 5 km", contou. Por semana, Jordans produz cerca de 50 litros de etanol, mas não vende nenhum - e nem poderia, porque seu produto não atende às normas da ANP. Fonte: g1.globo.com.

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