Sertão Hoje

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Raimundo Marinho

É natural de Livramento de Nossa Senhora, bacharel em Comunicações e em Direito, pela UFBA, atuou durante 13 anos em A Tarde e é autor de livros como: Como fazer um Banco de Cliente, Livramento é de Nossa Senhora, Hora do Ângelus, Trajetória e A vítima e o princípio da celeridade processual. Administra o site mandacarudaserra.com.br.

Jair Bolsonaro eleito presidente!

Não era preciso ser mago para prever, com elevado grau de certeza, que o capitão do Exército, na reserva, e deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Messias Bolsonaro (PSL), seria eleito presidente da República.

Como dissemos, aqui, no último comentário, só “uma ruptura da normalidade” impediria isso, “gostemos ou não”. O novo presidente foi eleito, ontem, com 55,13% dos votos, contra 44,87% de Fernando Haddad (PT).

Há muito para ser analisado sobre a vida desse personagem da política nacional, um militar sem expressão e um político do chamado baixo clero, que sai praticamente do nada para o cargo máximo do país.

Com pouco espaço na mídia e no horário eleitoral, sem dinheiro, como ele mesmo afirma, utilizou-se intensamente das redes sociais e atraiu uma onda humana a seu favor, rompendo essa abissal desvantagem. Por seu linguajar grosseiro, bruto, infantil e, em grande parte, inadequado, ensejando a que fosse chamado de racista, ditador, misógino e incitador da violência, sofreu ferozes críticas, inclusive da grande mídia. Porém, manteve seu discurso, sem mudar nada, demonstrando entender que era isso o que a maioria dos brasileiros queria ouvir, certamente inspirado no ambiente degradado da cidade do Rio de Janeiro.

Degradação que se disseminou por grande parte do país, abrindo espaço para acolhimento da fala bizarra do agora presidente eleito. E teve duas desgraças a seu favor, reforçando seu inusitado estilo de campanha.

As desgraças foram a própria tentativa de homicídio por ele sofrida e a situação de descalabros e desenganos em que os políticos mergulharam o Brasil, vítima do maior esquema de corrupção do mundo.

Gestor do país, justo quando se deu o saqueamento do Estado, o PT, acusado de aparelhar a Administração, tendo suas lideranças presas ou respondendo a processos, foi o grande cabo eleitoral de Bolsonaro.

Mas a democracia prevaleceu! Não há dado concreto indicando qualquer ameaça. O derrotado Haddad, que tanto falou em respeitar a democracia, não admitiu a derrota e muito menos cumprimentou o eleito.

Em suas primeiras palavras, logo após o anuncio da vitória, lendo um discurso, ontem à noite, para as televisões, Jair Bolsonaro disse:

"A liberdade é um princípio fundamental da Constituição: liberdade de ir e vir, andar nas ruas; liberdade de empreender; liberdade política; liberdade de ter opinião; liberdade religiosa; liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas. Esse é um país de todos nós, brasileiros natos ou de coração. Um Brasil de diversas opiniões, cores e orientações".

Pelo que eu sei, ele foi o primeiro a se lembrar e citar o nome de Deus, em momento como esse, não só no slogan da campanha, mas também depois de eleito.

Portanto, fé em Deus e respeito à vontade da maioria!