Sertão Hoje

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Paulo Esdras

Paulo Esdras é Comunicólogo, Agente cultural, protetor dos direitos dos animais e Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA) de Brumado.

Toda Violência tem uma causa

Uma lógica filosófica: todo efeito tem uma causa. A violência que Brumado vive hoje é efeito de uma causa anterior decorrente da inoperância, negligência e letargia. Dizem que são características próprias do atual governo municipal, mas o problema existente hoje é consequência de escolhas do passado.

Noticias de assaltos, furtos, tráfico estão todos os dias nos veículos de comunicação da cidade. Porém, a crueldade superou os limites no início desta semana com a notícia da tortura de um casal na zona rural. Alicates foram usados para retirar as unhas e golpes de facão para cortar o cabelo das vítimas. Um crime cruel e hediondo que chocou a todos.

Li recentemente uma frase escrita num muro: “Numa sociedade que não investe em cultura, a violência é o espetáculo”. Nosso imediatismo muitas vezes não nos deixa enxergar que o combate contra a violência não é apenas colocar mais policiais nas ruas. Esta é a maneira ostensiva e a repressão não soluciona a causa do problema, mas sim os sintomas. Para diminuirmos ou eliminarmos a causa é necessário um investimento permanente em políticas públicas para a juventude nos bairros em vulnerabilidade social, onde as crianças e jovens estão mais expostos ao tráfico de drogas. Cultura, Esporte, dinamização de espaços, economia criativa como fonte de renda, cursos de capacitação profissional devem receber investimento permanente e não algo pontual nestas áreas. O que foi feito até hoje em Brumado é muito pouco e o reflexo são os assaltos, torturas e medo a que nossos cidadãos são submetidos.

Mas se é tão óbvia a solução, por que nossos políticos não investem mais na área? O motivo é simples e triste: a maioria dos nossos governantes trabalha com a lógica eleitoreira. Investimentos deste tipo não convertem votos nas urnas, pois tem um efeito em médio e longo prazo.  Portanto, este tipo de governante da velha política prefere investir em áreas que convertam votos imediatos para poderem contar com a reeleição, emplacar sucessores como cônjuges, filhos, irmãos, parentes, amigos ou outros “laranjas”. Este tipo de político, que compra voto e faz a politicagem já tão conhecida, trata a Democracia como uma espécie de coronelismo moderno, passando o poder para os seus protegidos e, de certa forma, continuarem no comando.

Na contramão desta lógica cruel, muitos guerreiros enfrentam esta realidade em prol do próximo, sem pensar em nenhuma forma de levar vantagem. Grupos culturais de capoeira em nossa cidade liderados por Maxuell, Boca, Zumbi, Lobo, Beiramar, Marreta, Chiquinho, entre outros; Projeto Viver Arte coordenado pelo casal Mesaque e Zilma. Projetos esportivos de boxe de Guinga na APAE, Artes Marciais com professor Fabiano, Aranha, Billy, são exemplos de combate a violência.

Enquanto não renovarmos os políticos, continuaremos presos a projetos meramente eleitoreiros e a violência continuará a crescer nos bolsões de pobreza e nos gabinetes dos coronéis eleitos.