Sertão Hoje

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Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

DALVA DA MERENDA

Amigos, amigas, é entristecido que retorno ao convívio honroso com a leitura qualificada de todos vocês. Triste, pois perdi uma amiga querida, uma companheira de trabalho, uma pessoa rara. Perdi, perdemos todos, eis que ela de fato exerceu papel relevante no serviço público regional, Dalva Alves Fagundes, Dalva da Merenda.

Não compartilhou comigo a sua doença, o sofrimento que já lhe afligia nos últimos meses, não, Dalva não era de chorar pitangas por ai. Gostava de fazer o que tinha para ser feito, e logo, e rápido, e bem feito. Assim viveu, para isto viveu, assim morreu. Apagou-se o vigor de uma mulher que, sozinha, era capaz de liderar um batalhão de trabalhadores com uma energia que muitas vezes assustava, melindrava, mas sempre era eficiente. É isto, Dalva da Merenda foi uma servidora pública eficiente na exata expressão do termo, na mais ampla expressão do termo.

Entretanto, uma pausa para explicar aos que não conheceram de quem falo com pesar nesta coluna. Dalva Alves Fagundes passou a ser conhecida como Dalva da Merenda por ter sido responsável, por longas datas, pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar em toda a região, em vastíssimos territórios. Ainda hoje, agora, se o amigo ou amiga encontrar uma diretora de escola que tenha atuado nas décadas de setenta e oitenta, daqui até onde a vista alcança, e lhe perguntar quem foi Dalva da Merenda, ela saberá dizer.

Amigos, amigas, não é qualquer pessoa que merece o adjetivo “rara”, não é qualquer pessoa uma pessoa rara. Dalva era assim. Rara pela sua franqueza, rara pela sua dedicação ao serviço público e rara, atuando no serviço público, pela sua eficiência. Trabalhou na era pré computador, quando tudo era anotado em fichas, a mão, depois datilografado. Era exímia organizadora, sagaz supervisora. Uma enormidade de gêneros alimentícios a distribuir, cálculos em gramas per capita, a equipe toda trabalhando e Dalva da Merenda no controle, sabendo de tudo, querendo e conseguindo que tudo fosse feito rápido e eficientemente. Nam mais, nem menos, a medida exata. Raridade antes uma servidora pública de tal quilate, e mais raridade agora, quando vemos o serviço púbico ser sucateado inapelavelmente.

E foi esta a amiga que deu o seu último suspiro neste doloroso julho de 2015. Calou-se para sempre a voz da saudosa Dalva da Merenda. Cessaram os seus gestos, mas ficará registrado para a posteridade a afirmação da verdade: Dalva Alves Fagundes serviu ao público com eficiência e honestidade! Este não é um legado pequeno, amiga, este é o seu valoroso legado, Dalva da Merenda, o que lhe dá direito pleno de paz e descanso...