Sertão Hoje

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Colunistas

Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

Heróis

Tanto já falamos, tanto já se falou e se fala que esse negócio de sair a cada eleição procurando um herói é besteira, não funciona, que disso hoje nem vou mais falar. Agora, de heróis peço licença para lhes dizer um pouco, mas dos verdadeiros, dos bons. Pode ser? Pois bem, na mitologia o herói é um semideus, uma criatura de origem mista resultante da união de um deus ou deusa com um ser da espécie humana. Na acepção que nos interessa, herói é aquele indivíduo que se destaca pelos seus feitos e que por isso é, ou merece ser, admirado.

Assim sendo, e assim de fato é, quero trazer aqui de vez em quando heróis que eu conheci nessa minha caminhada, homens e mulheres de carne e osso, gente que passa por nós na rua, que encontramos na fila do pão comumente. Esses sim, existem e não são reconhecidos, ninguém lhes presta as reverências devidas, não lhes fazem estátuas e nem mesmo bustos dourados. Heróis, heroínas, aos montes, ao nosso lado, sem que os vejamos.

Um desses heróis meu conhecido atende pelo nome de Edvaldo Ramos da Trindade, e é professor aposentado. Vejam a graça que tive, esse herói trabalhou comigo até há poucos dias, eu pude aprender com os seus métodos, vi de perto a sua força. Melhor dizer logo que a minha sorte ainda foi maior, pois ele integrou a mesma equipe gestora que eu, atuando como vice-diretor do turno noturno, do glorioso Instituto de Educação Anísio Teixeira, aqui em Caetité. Por longos anos, sem nunca faltar, o herói que agora lhes apresento chegou antes e saiu depois de todos. Toda noite, sem nunca faltar, lá estava ele para cumprir a sua missão.

Eu disse cumprir a sua missão? Erro. Fosse assim e o Professor Edivaldo Ramos da Trindade seria uma pessoa comum, responsável, e só. A verdade é que ele nunca se deu por satisfeito em cumprir apenas a sua missão protocolar. Fazia mais, muito mais, pela escola que o abraçou, que ele abraçou. E quando eu digo fazia mais, é mais mesmo, é qualquer coisa que fosse preciso, a qualquer hora, em qualquer dia. Juntos, por exemplo, já varamos a noite aprontando isto ou aquilo na escola apenas para que no outro dia ela amanhecesse ainda mais bela, mais acolhedora, mais funcional. Era comum, depois do bem cumprido expediente de vice-diretor do turno noturno, o herói dessa crônica empunhar martelo, serrote, pregos, parafusos, e se pôr a consertar cadeiras, mesas, o que fosse, tudo para que a escola fosse melhor.

Apois, se quiserem os senhores e senhoras buscar heróis no período eleitoral, estejam a vontade para errar. Agora, se desejam conhecer heróis de verdade, um bom lugar é nas muitas escolas públicas das suas cidades. Creiam, eles estão lá, ainda. Alguns já se aposentaram, como é o caso desse notável Professor Edivaldo Ramos da Trindade que agora homenageio; mas em todo lugar que gente assim como o meu herói passa, acreditem, fica o exemplo, a semente, e outros surgem, para nossa glória.