Sertão Hoje

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Colunistas

Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

Belma Gumes, a Professora

Sempre na fé de que esta Tribuna, em tempos de redes mundiais, atinge todas as partes do planeta, é claro que temos certeza de que seremos lidos ali em Guanambi, aonde mora a principal personagem da nossa crônica de hoje. Se for este o caso, se você nos lê na boa e quente cidade vizinha, saiba que logo mais eu deitarei falação sobre uma das melhores professoras do mundo, moradora de Guanambi, a querida e muito respeitada pelos seus alunos, Professora Belma Gumes.

Faz tempo que tive a honra de ser seu aluno, quando integrava a primeira turma da Licenciatura em letras da UNEB local. E vem daí um dos meus maiores arrependimentos, que se dá exatamente por ter a consciência que fui um péssimo aluno desta tão boa e excelente Mestra. Não prestava a atenção devida às suas aulas, pois me bastava vê-la lecionando, o quadro negro mais bem preenchido do universo, nem um minuto perdido sem preciosos ensinamentos.

Belma sabe tanto da Língua Portuguesa, mas tanto, que simplesmente vê-la discorrer sobre a sua Gramática já é um espetáculo. Pois foi assim que não aproveitei como deveria as suas aulas, eu me esquecia que aquilo era uma aula, uma escola, e viajava no saber imenso daquela mulher. Mas não era um aluno a altura do seu trabalho abnegado, sério, de ensinar. Falhava, inclusive, pelas confessa expectativa que ela nutria sobre a minha capacidade de aprender o que ela gentilmente nos ensinava. Uma pena. Um prejuízo que levarei por toda a minha vida por minha culpa, minha máxima culpa.

Hoje, tanto tempo depois, volto a me lembrar da doce figura daquela professora pequenina, de gestos contidos, mas de uma energia para as atividades docentes como raramente se vê ou se tem notícia. Não sei bem porquê me lembro da Mestra nesse instante, certamente deve ser por ter tido uma dúvida quanto a regra correta da regência aqui, a concordância acolá, isto sempre ocorre. Foi por isso... Ou não foi?

Confesso logo que de novo me veio mesmo foi o remorso por ter aproveitado tão pouco do vastíssimo conhecimento da minha Professora Belma Gumes, ao pensar sobre o tempo e o seu passar. Tem coisas que deixamos passar e depois queríamos de volta a oportunidade, tem gente que passa por nós e nos oferece o melhor de si, e não percebemos na hora. Só depois, muito depois, e aí, amigo, o tempo de ser já é passado.

Fica então o registro da minha admiração, do meu agradecimento à Professora Belma Gumes, e, se ela se dignar a considerar, o meu pedido de desculpas por não ter sabido, naquele tempo, aproveitar do tanto que ela nos oferecia e de forma tão competente.