Sertão Hoje

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Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

O jeito certo de comer...

Parte 1 – Regras gerais

É negócio arriscado estabelecer um jeito que seja o certo para isto ou para aquilo, tantas e tão diferentes são as pessoas nesse mundo. Contudo, alguém tem que lembrar aos mais novos as tradições que vão marcando as nossas vidas, as vidas dos seus antepassados.

Primeira impressão quando o cara diz que esse é o jeito certo de fazer alguma coisa é que ele, o cara que diz, é velho. Jovem costuma dizer que não tem jeito certo e nem errado para se fazer o que quer que seja, pois sempre depende...

Todavia, vamos logo adiantando que essa série de textos que ora inaugura-se tem apenas a pretensão de registrar um jeito certo de se comer as mais variadas iguarias sertanejas. Jeito certo assim se entendendo como sendo o jeito que maioria dos sertanejos prefere utilizar, por razões sempre óbvias para quem é do ramo.

O título já indica o caráter autoritário desta modesta contribuição à memória gastronômica dessas terras sertanejas e disso não abro mão. O jeito certo é um só, os demais, variações ou simples heresias. Sendo assim, deixemos de trololó e vamos logo às regras gerais do comer sertanejo, algumas delas, as mais importantes.

Regra número um: farinha combina com tudo. Há outros estudiosos que pensam em excepcionar a sopa, mas como conheci uma moça que gostava de comer sopa com farinha e dizia que na casa dela isto era normal, fica valendo então. Era uma casa sertaneja, e como a farinha reina absoluta como acompanhante nestas paragens, nada de exceção. Farinha combina com tudo, tudo mesmo.

Regra número dois: Antes dos talheres vieram as mãos, então muita coisa deve ser comida com as mãos servindo como perfeitos talheres, sendo mesmo insubstituíveis em alguns casos.

Regra número três: As iguarias sertanejas foram todas criadas para serem comidas misturadas umas com as outras. Por aqui as coisas combinam bem no prato, então o jeito certo de apreciá-las é misturando tudo em uma garfada só, ou uma mãozada só, a depender do caso.

Postos os princípios gerais desse potencial tratado histórico-culinário, na próxima edição leiam a primeira abordagem prática do nosso jeito certo de comer. Até lá e bom apetite...