Sertão Hoje

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Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

Eu nasci há xxxx anos atrás...

Brincando, brincando vou deixar aqui exposta uma ideia genial que seguramente vale milhões, bilhões até, mas como sou um sujeito pouco apegado ao vil metal nada cobrarei de ninguém. É o seguinte: o amigo ou amiga já teve que preencher um desses muitos, inúmeros, intermináveis cadastro em sites de bancos, lojas e afins? Pois é, além de todos os muitos dados solicitados, alguns até muito invasivos, sempre, obrigatoriamente, tem lá o campo para se informar a idade.

Aí é que mora o busílis. Sendo o preenchedor do cadastro alguém nascido em épocas em que a internet nem ficção científica ainda era, vai penar. Não que eu me importe com isto, deixo logo claro. Não, para mim dizer que tenho a idade que tenho absolutamente não é problema. O problema é ter que pensar nisto toda vez em que tento comprar um brinquedo para os meus cachorros, um livro, qualquer coisa no universo virtual. Não gente, é uma angustia ver que o ano do meu nascimento fica tão distante naquela lista de datas que aparece quando clico em “idade” ...

Faça aí você mesmo o teste e me diga. Isto, é claro, se você também tem que procurar até acha mil novecentos e borrachinha na longa lista que surge na tela. Desnecessário tratar assim quem só quer comprar um brinquedinho para a netinha que acabou de nascer! Forçosamente, enquanto o ano do nascimento não aparece, enquanto o mouse desliza por um tempo interminável pela sequência de datas, o camarada vai pensar na morte da bezerra...

A minha ideia genial vem para resolver de uma só vez esse perrengue. Simples como todas as ideias realmente geniais, minha proposta revolucionária mudará o mundo a partir da sua adoção por todos os sites do planeta. De tão simples, e tão genial ela é, sei que vão querer me encher de prêmios e recompensa financeiras, mas repito: nada espero ganhar, além da satisfação de ter contribuído para o bem da humanidade. Não me venham Google, Facebook, Whatsapp e assemelhados incomodar com honrarias. Não, apenas adotem já o que proponho e estarei satisfeito.

A mágica, a revolução, consiste em simplesmente inverter a ordem em que são dispostos os anos para indicação do nascimento do usuário da rede. Eu sei, eu sei, você a esta altura, caro leitor, leitora gentil e bela, deve estar se mordendo de raiva e dizendo o clássico: “Como eu não pensei nisto antes”! Então, eu pensei e agora divido com vocês. A lógica é elementar, o grau de genialidade é imensurável. Vejam que acabo logo de uma vez com todos os problemas nesse campo. Os jovens não adoram pensar que são mais velhos? Os mais velhos não desejam ao menos parecer um pouco mais jovens?

Adotada a minha ideia todos ficarão satisfeitos. Os jovens, ao terem que procurar lá embaixo da listona o seu ano de nascimento acharão que já viveram um lote, que são mais velhos do que pensam, que podem fazer isto e aquilo que só certas idades permitem. Já os mais velhos, ao se depararem de imediato com o seu ano de nascimento, exultarão. Vai parecer que viveram menos tempo do que de fato lhes pesa nas costas.

 E a sequência de anos, que agora passará a ser crescente, terá como data inicial 1964, e mais não digo e nem explico por ser desnecessário, afinal gênio é gênio e quem quiser que se esforce para entender as ideias estupendas que esses seres iluminados vez em quando legam ao mundo...