Sertão Hoje

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Colunistas

Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

A República dos Velhacos (Parte II)

Amigos, amigas não há, neste 12 de maio de 2016, nada de novo no fim do túnel. Pior, não é visível nesse instante histórico nem mesmo o fim do túnel, ou se é certo que o túnel tem fim. Sai Dilma, entra Temer, e continuamos mergulhando no escuro profundo. O governo que sai, sai por suas próprias escolhas. Uniu-se, desde o início do seu ciclo de poder, ao que de pior havia no cenário político nacional e agora chora pitangas por ter sido fragorosamente traído pelos que escolheu como aliados. A união do PT com o PMDB, a dita aliança pela governabilidade, sempre foi em verdade um conluio de velhacos. Os primeiros, impúberes jogadores do jogo sujo da corrupção e do poder pelo poder; os últimos, velhos jogadores, raposas eradas. Deu no que deu. Um tentou comer o outro e o outro comeu um...

Agora nos submeteremos a um novo governo, cheio de embolorados senhores de terno, nenhuma senhora, nenhuma senhorita. A composição inicial do staff Temerista (ou seria Temerário?) só indica que teremos mais do mesmo. Velhacos, frequentadores dos anais da lava jato, senhores de nacos gordos dos campos férteis da corrupção tupiniquim. E toma-lhe falta de vergonha na cara, e toma-lhe a indicação de “dinossauros corruptus” para o novo ministério, secretarias de governo. E logo virá o festim pantagruélico da distribuição do milhares de cargos comissionados, alimento preferido do baixo clero nas casas legislativas...

O PT é o responsável pelo “empoderamento” (ugh!!!) do PMDB na última década e pedaço de outra. Poderia tê-lo liquidado, preferiu nutri-lo. Agora é segurar o rojão e esperar que também essa fatia da velha, velhaca, política nacional seja derretida pelos seus próprios feitos, pela sua irrefreável vontade de roubar os cofres públicos. Logo, logo, Temer e sua camarilha passarão, ou serão enjaulados, ou verão o sol nascer quadrado. Os novos tempos virão quando toda a sujeira, toda mesmo, a de esquerda, a de direita, for extirpada pela ética. E ponto.

Os tempos, não parecem, mas são alvissareiros. As hienas estão se matando, umas devorando as outras. O sangue dos corruptos de sempre e os dos que se tornaram corruptos em eras recentes verte aos borbotões sob a terra que se purifica. Não parece, mas é tempo de esperança, infelizmente a longo prazo...