Sertão Hoje

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Colunistas

Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

A república dos velhacos...

O título não o cunhei, mas o tomo como mote pelo seu incrível poder de síntese para denominar o período histórico que se iniciou em 1985 e hoje parece viver osseus estertores. Esperança e medo alternados, crises cíclicas decorrentes da mais pura e deslavada velhacaria.

Uma olhadinha no dicionário ou no Mr. Google e se verá que velhaco é aquele que propositadamente engana, ludibria; um enganador. Poderia o leitor definir melhor esta súcia de políticos que desfilam por Brasília, estados e municípios brasileiros desde o fim da ditadura? Lembrando que muitos deles não passam de filhotes daquele regime de exceção, o que temos são efetivamente velhacos travestidos de políticos com um fim único e exclusivo de assaltar os cofres públicos, de qualquer forma, sempre mais, sempre...

Uma multitude de partidos, mas uma só ideologia: a velhacaria. Não importa se comunista, democrata, social democrata, trabalhista, verde, vermelho, não importa a cor ou a plumagem, eis aí que estão todos eles engolfados pela mesma lama. São iguais nos métodos e nos princípios, como provam os fatos, a Odebrecht, os nossos olhos, os números que mais uma vez indicam recessão, desemprego, desigualdade e coisas e tais, como sempre aconteceu em todos os anteriores governos velhacos.

Velhacos, os que se elegem dizendo “a” e fazem “b” ou “c” ou coisa ainda pior. Velhacos, os que se dizem protetores dos pobres, mas não hesitam em roubar o dinheiro que pagaria o hospital para os pobres, o remédio, a merenda dos meninos. E segue a roda girando, a ciranda que se faz e desfaz, e eles, os velhacos, estão sempre lá, sorrindo e distribuindo tapinhas nas costas dos eleitores, inaugurando obras, distribuindo empregos, cortando os céus em luxuosos jatinhos, as ruas das cidades em vistosos carros oficiais.

A pena, a dó, o terror, é ver que os únicos capazes de soterrarem os velhacos preferiram pactuar com eles. Agora todos afundam na mesma barca furada, iguais todos eles. O que virá depois? Qual república se instalará? Pagaremos um alto preço para saber as respostas, para acharmos novo caminho, mas ele surgirá e será melhor, mais limpo, mais justo. E não se trata de otimismo cego, ou bobo, é uma simples questão de lógica, é elementar: Nada pode ser pior, exceto qualquer espécie de ditadura, do que esta república dos velhacos que vemos ruir...