Sertão Hoje

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Colunistas

Fabiano Cotrim

É professor e advogado do escritório "Cotrim, Cunha & Freire, Advogados Associados", em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias, mas, desde os tempos de Maurício Lima, então batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

O filé do Giripoca...

Amigos, amigas, eis que venho cometendo uma grave injustiça nesses muitos e muitos anos de crônicas jornalísticas e radiofônicas, mais de vinte anos. É que nesse tempo todo não parei para louvar um importante patrimônio local, daqueles que são importantes por fazerem parte dasreminiscências de muitos e muitos membros da nossa comunidade, e assim integrarem a memória coletiva.

Trata-se de nada mais nada menos do que o delicioso e sempre bem-vindo Filé à Parmegiana servido no Restaurante Giripoca há ininterruptos trinta e cinco anos. Um recorde, nesse Brasil de restaurantes fugazes; um recorde para um estabelecimento situado no profundo interior do nordeste; um recorde por se transformar em unanimidade ao longo de mais de três décadas. Quem ainda não provou certamente que fazê-lo, por ouvir falar bem, por ouvir dizer ser gostoso, sempre. Há os que foram levados pelos seus pais para provar a iguaria quando ainda crianças e que hoje já levam os seus filhos para vivenciar a mesma experiência, os avós ao lado.

O Restaurante Giripoca é assim uma empresa familiar vitoriosa, graças ao empenho da incansável Dona Nalva, o próprio Giripoca, seus filhos e uma equipe dedicada. Ali nos sentimos em casa, há uma sensação de intimidade com a casa, uma relação de proximidade que só é possível se estabelecer onde nos reconhecemos como partes. O Restaurante Giripoca exala, junto com o aroma inimitável do filé à parmegiana coberto pelo molho espesso e quentinho, o cheiro acolhedor da nossa terra.

Patrimônio imaterial, é isto que o filé à parmegiana é para Caetité, e é imperativo que esta condição seja reconhecida oficialmente, através do iniciativa da Câmara de Vereadores, que de já fica instada a fazê-lo. Por justo merecimento; por justo valor, pelas lembranças boas que nos desperta toda vez que o comemos. Exagero? Tenho certeza que não, afinal o que é um patrimônio imaterial, se não um prato executado com maestria e perfeição por longas décadas, sem nunca faltar, sem nunca perder as suas características mais deliciosas?

Então ficamos assim: honra e glória ao Filé à Parmegiana do Restaurante Giripoca que há mais de três décadas só nos dá prazer e alegria e que agora, por conta própria, decretamos ser patrimônio imaterial de Caetité. E quem não gostou que coma “mais pouco”...