Sertão Hoje

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Dário Teixeira Cotrim

Membro da Academia Montes-clarense de Letras e dos Institutos Histórico e Geográfico de Montes Claros (MG), de Feira de Santana (BA) e da Bahia. Dário também é sócio correspondente da Academia Caetiteense de Letras.

André Luiz Gomes Koehne

Quando o poeta Olavo Bilac rabiscou as primeiras palavras do seu clássico soneto Língua Portuguesa, afirmando que a flor do Lácio é inculta e bela, fiquei a meditar sobre a complexidade do nosso vernáculo. Assim, como Bilac, nós, os amantes da língua portuguesa, também diríamos o mesmo verso: “amo-te ó rude e doloroso idioma”. Olegário Bastos fala muito bem sobre o tempo dos sonetos.

Certamente que existem mecenas que gratuitamente fuxicam no melhor de suas intenções para contribuir com as técnicas literárias, na aplicação de textos literários e históricos, e visa o desenvolvimento cultural da comunidade em que vive. Sabemos que um povo sem cultura é um povo fastidioso, quase sempre, ou sempre, capacitado de iniquidade. Portanto, é bastante salutar disseminar a arte da escrita através de opúsculos, livros e jornais. Aliás, outra maneira não existe para o que se deseja senão através da escrita.

E a propósito disso queremos congratular com a Academia Caetiteense de Letras pelo lançamento da revista mensal Selecta Acadêmica. Este primoroso trabalho literário que tem a colaboração dos seus beletristas, destacando-se a figura ímpar do brilhante confrade Bel. André Luiz Gomes Koehne. O neoacadêmico Koehne ainda vem desenvolvendo trabalhos de pesquisas sobre o glorioso passado da região, os que estão sendo difundidos nos opúsculos intitulados Caderno de Cultura Caetiteense, resgatando assim, a enobrecida memória histórica da cidade de Caetité.

Por si só esses trabalhos de pesquisas, organizados por Koehne, já bastariam para justificar o título honroso de Acadêmico em Letras, o que lhe foi concedido pelos seus pares acadêmicos. Os Cadernos de Cultura Caetiteense ressaltam em Koehne, duas facetas adamantinas: a dureza e o brilhantismo, pois ele sempre nos apresenta rígido e criterioso nos seus afazeres editoriais, e por outro lado, vem alcançando resultados satisfatórios nos brilhantes trabalhos que faz.

O literato Koehne é uma pessoa simples e bastante inteligente. Alegre e muito atencioso. Acreditamos que seja ele o conhecedor mais atualizado da história antiga desta pequena e ilustre cidade de Caetité – chavão instituído pela nossa saudosa professora Helena Lima Santos, e que deixou impregnado na memória de toda a população caetiteense.

Falar de Cezar Zama, Koehne fala com muita propriedade. Dissertar sobre a trajetória do doutor Deocleciano Pires Teixeira ele também o faz e com verdadeiro conhecimento de causa, e de Otto Koehne, principalmente sobre o Resgate da Caldeira, ai, então, é assunto que ele domina desde os tempos em que ainda era criança. Entretanto, maior brilho dispõe Koehne no campo das pesquisas históricas. A memória primitiva de Caetité é assunto predileto quando nós o visitamos em seu casarão do século XVIII.

Academiar com Koehne é prazeroso. No final de cada encontro sempre saímos mais enriquecidos do que quando ali aportamos. Pode-se lhe bem aplicar o que diz o jornalista João Martins: o Bel. André Koehne é uma enciclopédia viva de Caetité, e a sua casa, onde vive, cercado de bons livros e de fartas fotografias, retrata a nós, visitantes, uma morada de época o que nos causa uma profunda saudade dos tempos pretéritos.

Agiram muito bem os membros da Academia Caetiteense de Letras em incluir no quadro de sócios efetivos daquela plêiade, o ilustre confrade das letras Bel. André Koehne. Certamente que a Academia de Letras de Caetité tornar-se-á mais completa e muito mais admirada dos seus intelectuais, porque o neoacadêmico Koehne é hoje considerado a figura primacial do meio literário de Caetité, quiçá de toda a nossa querida Bahia. Em tempo, Koehne é nosso sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.