Sertão Hoje

Sertão Hoje

Colunistas

Dário Teixeira Cotrim

Membro da Academia Montes-clarense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. Também é ele o atual diretor da Biblioteca Pública de Montes Claros

TCHAU, QUERIDA!

O Senado Federal protagonizou o mais importante momento político-social do Brasil, quando acatou da Câmara dos Deputados o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, e o aprovou pelo placar de 55 votos a favor da admissibilidade do impeachment e 22 contra. Foi uma maratona verdadeiramente fatigada, haja vista que a sessão durou mais de vinte horas com a presença quase unanime dos senhores senadores. Percebe-se que dois momentos fundamentais se destacaram nas falas dos oradores durante o encaminhamento do voto de cada um deles em plenário. O da indignação e o da esperança. Entretanto, no conjunto da obra pode-se dizer que, tanto a indignação como a esperança nortearam rumos equidistantes na formação de um novo governo, tendo como comandante o atual vice-presidente Michel Temer. É importante verificar o que disse o Papa Francisco sobre este nosso momento. Vejamos: “Já nos roubaram muito, já nos roubaram demais, não nos permitem que nos roube a esperança”.

Ainda, assim, há muito que já era preciso liquidar esta forma viciada de um governo populista, com seu balcão de negócios, sempre capitaneado pelo demérito de Lula da Silva. Não foi outro motivo senão o populismo, incompetente e perdulário, dos governos petistas – Lula e Dilma – que ingressou no sistema nervoso da economia, esfacelando-o de toda sorte. Aliás, o erro crucial de Dilma aconteceu quando emergiu dos simpatizantes lulistas o movimento “Volta Lula”. Se naquele exato momento a Dilma endossasse o tal movimento, talvez nada disso estivesse acontecido, pois é sabido que o Lula poderia vencer, já no primeiro turno, as eleições de 2014. Mas, o poder pelo poder seduziu a Dilma, mesmo sabendo que a economia do país não estava controlada, ela mergulhou numa nova e perigosa aventura. Para vencer as eleições se faz misérias. E assim eles fizeram. Portanto, neste histórico dia de 12 de maio de 2016, findou-se o último capítulo do governo petista de Luís Inácio Lula da Silva.

Hoje eu quero dizer que me sinto confortável, mas não muito feliz, em escrever esta crônica. Isto porque, desde quando Lula da Silva saiu vitorioso no dia 27 de outubro de 2002 que eu dizia o que poderia de pior acontecer no nosso país. E o pior aconteceu. Tenho todas as crônicas publicadas em revistas e jornais. A memória do desastre administrativo do famigerado PT é uma nódoa que envergonha a nossa história política e econômica de ontem, de hoje e do sempre. Infelizmente! O Senado Federal cumpriu o seu honroso papel constitucional com notável elegância, com equilíbrio progressivo e com uma determinação aguerrida e invejável. Foi exemplar a condução do presidente da casa, o senador Renan Calheiros, de quem não tenho eu nenhuma simpatia, haja vista de sua triste história pregressa, mas o sucesso dos trabalhos ali desenvolvidos em muito teve a sua experiência de parlamentar.

Agora, mais do que nunca, é hora de soltar fogos de artifícios e deixar a fantasia da pirotecnia, com estalos e luzes coloridas, entrecruzar-se pelos céus do nosso Brasil. A alegria do povo brasileiro é motivo de jubilosa euforia e, também, uma oportunidade para uma reflexão dos fatos então acontecidos. Portanto, vamos agradecer a boníssima Nossa Senhora de Aparecida a sua interseção piedosa ao nosso favor, com a expulsão dos maus condutores do Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, iluminando com a sua graça milagrosa os rumos que o vice Michel Temer deverá tomar. Antes tarde do que nunca... Tchau, Querida!